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4 de mai de 2011

Superman deixa de ser cidadão dos EUA

Diretamente do

Posts sobre Quadrinhos, todas as Quartas!


Action Comics nº 900 chegou ontem às comicshops estadunidenses, mas muitos leitores de lá podem não gostar do que estão prestes a ler, pois nesta edição Superman deixa de defender o “modo de vida americano”.



Em “The Incident” [O Incidente], história escrita por David Goyer, roteirista do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas, o herói se vê em meio a uma questão política com a qual os EUA está de fato envolvido no mundo real: a oposição ao Irã. A questão é retratada de maneira tão explícita que a DC não se preocupou em disfarçar nomes como Irã, Teerã e do próprio presidente Ahmadinejad.
A situação começa quando Superman, ao proteger cidadãos que se manifestam pacificamente em Teerã contra as opressões do governo iraniano, causa um incidente internacional envolvendo os EUA e o Irã e vê-se obrigado a se opor aos oficiais estadunidenses. Neste ponto herói decide romper com o país que o acolheu, como pode ser visto na imagem abaixo.

Aos que não estão com o inglês afiado segue a tradução do diálogo:
Superman: … por isso amanhã pretendo falar perante às Nações Unidas e informar que estou renunciando minha cidadania estadunidense.
Agente: O quê?
Superman: Estou cansado de ter minhas ações interpretadas como instrumento da política estadunidense. “Verdade, justiça e o modo americano” não é mais o suficiente. O mundo é muito pequeno. Muito conectado.
A decisão do Superman, isto é, da DC, talvez gere bastante polêmica visto que uma mudança muito menor que esta, a alteração do uniforme da Mulher Maravilha – agora sem as estrelas – foi fonte de uma matéria da Fox News criticando a retirada do bandeira dos EUA do traje de Diana.
O mais curioso, porém, é que há meses o Superman está empenhado em resgatar suas origens estadunidenses no arco “Grounded” escrito por J. M. Straczynski, no qual limitou-se a caminhar – e não voar – pelos EUA como um homem normal. Esse resgate e o posterior rompimento de laços do Superman com os EUA terá sido planejado ou os eventos de Action Comics nº 900 foram uma reação a baixa receptividade do arco de Straczynski?
Enfim, seja como for nunca vi com bons olhos a política imperialista e o comportamento belicoso dos EUA, de modo que nunca tive grandes paixões por aquele país. Muito pelo contrário. No entanto, todos os super- heróis que gosto foram criados lá e alguns trazem os ideais estadunidenses impregnados, sendo que talvez os maiores defensores dos valores estadunidenses sejam o Capitão América e, claro, Superman. Para ler suas histórias demandava um pequeno esforço em enxergar somente as ações destes herói e não os valores do país que eles representam.
Como cidadão não-estadunidense eu me sentia um pouco chateado ao ver um dos meus heróis preferidos servindo a um país que age de maneira que não considero a correta. Mas, agora não preciso mais abstrair o fato dele ser estadunidense, pois não é mais. Agora o Super defende tanto os meus e os seus direitos quando os de todo o mundo. Ele não defende mais o “modo de vida americano” e sim o direito a vida digna para todos.


Escrito por Doctor Doctor.

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