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15 de fev de 2010

Submundo Entrevista: Mike Deodato



Deodato Taumaturgo Borges Filho, ou Mike Deodato, nasceu em Campina Grande em 1963 e é um dos poucos artistas brasileiros de Histórias em Quadrinhos a ganhar projeção internacional.

Deodato se tornou quadrinista influenciado pelo seu pai, Deodato Borges, que lhe ensinou desenhar e foi quem lhe apresentou primeiramente os trabalhos dos mestres Will Eisner, Burne Hogarth e outros. Seu pai era jornalista, radialista, roteirista além de quadrinista, criador do personagem "Flama" nos idos de 1963. Surgido nas novelas de rádio, o personagem foi um dos primeiros a aparecer em revistas em quadrinhos publicadas no Nordeste brasileiro.  
"Deodato Jr." fez aos 15 anos sua primeira revista independente de HQ, com seu personagem, o Ninja, em formato de fanzine.
Nos anos 80, além de publicar regularmente charges e cartuns em jornais da Paraíba, ele publica uma revista tamanho gigante "3000 Anos Depois", uma saga de Ficção Científica!
Antes mesmo de ganhar a América do Norte, Deodato publicou trabalhos na Europa (Bélgica, França e Portugal).

Foi na década de 90 que ele começa a ganhar destaque. Através de agenciamento feito pelo estúdio Art & Comics desenha "Lost in Space" e "Beauty and the Beast" (quadrinhos baseados em séries de TV), pelo selo de quadrinhos americano Innovation Comics, "New Miracleman" pela editora Eclipse, e "Hibrides", (com arte-final de Neal Adams!), pela Editora Continuity (do próprio Neal Adams).

Tornou-se mais conhecido no mercado americano e no brasileiro, ao desenhar em 1994, a Mulher Maravilha (DC Comics). Ainda pela DC fez Batman e Flash (arte-final).


Pela Marvel Comics, Deodato ilustrou vários heróis como Os Vingadores, Thor, Hulk, Homem Aranha, X-Men, Mulher-Hulk, Elektra entre outros.


Teve uma passagem muito elogiada em Glory, de Liefeld, pela Image e pela Dark Horse fez Xena, Star Wars Tales e um encontro de com VampirellaLady Death.
Tive um bate-papo com Mike, essa semana, onde ele fala dos "primórdios" da carreira, da elogiada fase em Homem Aranha, de Dark Avengers e do seu trabalho mais recente, Secret Avengers. Vamos à entrevista!

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Submundo Mamão - Pra começar a entrevista, vamos dar um pulo no tempo. Você teve grandes influências quadrinísticas (como Eisner) e um mestre, seu pai, que estava ali sempre te ajudando a desenhar, não é?
Mike Deodato - Eu aprendi copiando de gibis e observando meu pai desenhar. Na verdade continuo aprendendo. Foi só à partir dos treze anos que meu interesse realmente aumentou.
Submundo Mamão - Como a maioria dos quadrinistas, você começou fazendo sua própria
criação em fanzines, etc. Fala um pouco dessa experiência do começo, de fazer a própria revista independente, etc. 
Mike Deodato - Fazer quadrinho independente é essencial pro desenvolvimento do artista, em minha opinião. Comigo não foi diferente. Aprendi muito tentando e errando. A opinião dos leitores foi também essencial. Sinto saudade desse tempo. 

Submundo Mamão - Você fez algumas coisas para os jornais nos anos 80 e até algo com
ficção cientifica. Você fez bastante coisa diferente no começo.
Mike Deodato - Na verdade desenhei de tudo quando publicava no Brasil. Fiz literalmente todos os gêneros, tentando sobreviver de minha arte, o que infelizmente, depois descobri que não conseguiria se continuasse tentando só no Brasil. 

Submundo Mamão - E hoje dá pra dizer, olhando para o que acontecia nessa época, que
um futuro emprego no mundo dos quadrinhos já estava se desenhando, ou você nem fazia ideia de que isso ocorreria?
Mike Deodato - Sempre soube que conseguiria, nunca tive dúvida disso! Aos treze anos decidi que seria desenhista de quadrinhos e fui atrás de meu sonho. 

Submundo Mamão - Você começou nos quadrinhos americanos através de selos pequenos,
como a Continuity de Neal Adams e depois fez um trampo na DC com a Mulher Maravilha, do qual ficou mais conhecido. Como foi essa fase? 
Trabalhar com Neal Adams e salvar uma revista do cancelamento é um bom começo, não? =)
Mike Deodato - Foi um começo bem difícil nos states também. Editoras pequenas, calotes muitos...
Quando finalmente veio a chance de apresentar amostras pra DC, coloquei tudo que tinha naqueles desenhos e o resto foi só consequência. 

Submundo Mamão - Depois da DC, você começou a desenhar pra Marvel e, ainda bem, parece que isso vai rolar por muito tempo!
Como você fez mais coisas pra uma do que pra outra, acho meio injusto te perguntar qual é a sua editora preferida (rs), então vou perguntar qual o trabalho que você mais curtiu fazer em ambas?
Mike Deodato - Na DC foi a Mulher-Maravilha e na Marvel foi o Wolverine.
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Submundo Mamão - E quanto aos quadrinhos que você lê? Qual título você prefere?
Mike Deodato - Atualmente ando lendo Criminal, Calvin e Haroldo e Fables.

Submundo Mamão - Eu conheci seu trampo na época em que você fazia a Glory para a Image e logo após fui atrás da revista da Mulher Maravilha para conferir mais do seu trabalho. Eu curti Glory, mas meio que achei que ela era uma cópia descarada da Mulher Maravilha e hoje a gente sabe que a intenção era essa mesmo. =)
A gente sabe que você fez um puta trabalho ali, mas, só pra polemizar, um pouco será que o Liefeld pensou em você pela repercurssão que você tinha com a Mulher Maravilha?
Mike Deodato - A idéia era exatamente essa! Liefeld pode não ter outros talentos, mas é um excelente homem de negócios. 


Submundo Mamão - Você mudou seu traço, que era bem puxado ao estilo do Jim Lee nos anos 90, e vem melhorando cada vez mais e inclusive fazendo um lance muito legal, pelo menos pra muita gente que curte seus desenhos assim como eu, que é dar um rosto mais realista para os personagens dos quais você trabalha, como por exemplo, na série do Homem Aranha, que você usou referências de pessoas como o Tommy Lee Jones para o Norman Osborn e tal. Como surgiu essa ideia de fazer algo tão diferente?
Mike Deodato - Na verdade isso vem de longe... Gulacy já fazia isso nos anos setenta. Gosto de homenagear atores e artistas que aprecio.


Submundo Mamão - Mike, ainda tem algum personagem que você gostaria muito de fazer
em quadrinhos?
Mike Deodato - Príncipe Valente, Ken Parker, Tex, Conan, Tor.

 
Submundo Mamão - Como foi desenhar “Dark Avengers”?
Mike Deodato - Tem sido um prazer. Adoro Bendis e todo o time. Faria mais dezeseis números brincando.

 
Submundo Mamão - Uma última pergunta: existe algo que você possa adiantar sobre “Secret Avengers”, que faz parte da saga Heroic Age da Marvel, da qual você atualmente está trabalhando? Quais são suas expectativas para a série?
Mike Deodato - Só posso dizer que li o roteiro do número um e é o melhor roteiro que recebi nos últimos anos! Genial!


Então é isso! Estamos esperando anciosamente por isso aqui no Brasil!
Valeu, Mike!
 Mike aproveitou pra mandar uma capa exclusiva pra gente!

Um comentário:

  1. Boa Vini! Parabéns pela entrevista! Apesar do Deodato ser um desenhista que particularmente não me agrada (e nunca me agradou), não se pode negar a relevância do cara nos comics de super-heróis.

    Agora, engraçado que em nenhum momento ele citou sequer a existência do Emir Ribeiro, que se auto-enaltece por aí contando seu papel no debut do pequeno Deodato.

    De resto, achei só que podia ter entrado um pouquinho mais nas situações que (certamente) a arte dele acabou colocando-o, convenções e coisa e tal. Mas é isso aí.

    Abraço, Vini!

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