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2 de dez. de 2010

Roteiristas de 'The walking dead' são demitidos!


E a decisão de demití-los após o fim da 1ª temporada nada tem a ver com as boas críticas ou os recordes de audiência da série.
Segundo o produtor e diretor Frank Darabont, o 2º ano terá apenas roteiristas freelancers.

O canal AMC, que exibe a série "The walking dead" nos Estados Unidos, emitiu o comunicado nesta quarta-feira, onde avisava que todos os roteiristas da produção seriam demitidos após o término da 1ª temporada que ocorre no próximo dia 7.
O aviso teria surpreendido toda equipe do programa, que desde a estreia, em novembro, é sucesso de crítica e audiência.
Darabont escreveu dois dos seis capítulos da 1ª temporada e um deles foi escrito pelo próprio criador da série em quadrinhos, Robert Kirkman. Ficou claro que, até agora, os roteiros para a série televisiva não seguem muito o que já foi apresentado nas HQs, mas isso não é nem um pouco um ponto negativo. Aliás, muito pelo contrário, todos os novos elementos que estão sendo inseridos na série são particularmente muito mais instigantes que nos quadrinhos.
Outro fator importante está sendo as representações dos atores, desde os mocinhos até os zumbis!

O episódio piloto foi visto por 5,3 milhões de espectadores, maior número registrado por um lançamento na história da TV paga americana. Segundo o site Bleeding Cool, a série de TV ajudou a popularizar os quadrinhos de mesmo nome e a edição  nº1 foi vendida no eBay por US$ 1.825, maior valor pago por uma HQ nos últimos dez anos.


Realmente não dá pra entender qual é a estratégia dos caras em fazer isso, demitir roteiristas que estão fazendo, e muito bem, o seu serviço. Talvez a intenção seja dar oportunidade para que novos escritores deem sua visão sobre o tema. Se for isso mesmo, é uma ideia interessante...

27 de jul. de 2010

Continuo escrevendo...


Todo quadrinista deve ser igual, ou pelo menos a maioria. Eu ainda tenho a sorte de saber desenhar, mas me falta tempo pra colocar todas as minhas ideias no papel. E aí, vou acumulando pilhas e pilhas de roteiros e motes pra HQ, seja no computador ou em pedaços de papel espalhados pela casa.
Pra quem é roteirista deve ser pior ainda, porque é praticamente impossível você encontrar um desenhista que tenha disposição ou queira fazer essas histórias sem ganhar pelo menos alguma coisa. Muitos não querem investir seu tempo em algo que eles acham que não vai dar rendimentos.
Esse é um dos problemas de se fazer quadrinhos no Brasil. Como não temos uma indústria forte disso, muita coisa é deixada de lado ou feita de qualquer jeito, quando o roteirista fica desesperado pra lançar algo com o nome dele. E muitas vezes, dá muito trabalho. O roteirista acaba pedindo peloamordedeus pra alguém fazer seus roteiros!

Me identifiquei com a "tira" aí de cima feita pelo grande Orlandeli e acho que os roteiristas de quadrinhos que acompanham esse blog também o vão. 
Mas o importante é isso... nunca desistir e continuar escrevendo! Sempre!

Pra quem tá afim de anunciar seus trampos de roteiro, a dica é se associar ao fórum do Quinto Mundo. Sempre tem gente querendo trampar ou trocar uma ideia por lá!

Boa sorte!

24 de mai. de 2010

"Por que não temos bons roteiristas de quadrinhos no Brasil?"


Essa pergunta foi feita a alguns dias atrás no blog do André Forastieri e devidamente respondida pelo mesmo. Pelo menos aquilo que ele acha quais são os motivos.
Tenho que concordar com o cara em certos quesitos, mas acho que o buraco é mais embaixo. Tanto que os comentários foram abarrotados de opiniões diversas sobre o caso.

Concordo quando ele diz que o quadrinho brasileiro está repleto de ilustradores talentosos, só que ele declara que temos "um deserto de roteiristas competentes". E ele nem está falando dos criadores de primeiro time. E também não menciona quem são esses criadores de 1° escalão.
Imagino que ele tirou todos os medalhões da parada, os mais famosos, mas não excluiu talvez os vários professores de roteiro de HQ que tem por aí. Se não, como explicar essa opinião? Estão fazendo o serviço mal feito?
Hordas de pessoas fazem esses cursos todo ano, então só me leva a crer que eles não estão aprendendo o feijão com arroz dos roteiros de quadrinhos...

Ele compara os quadrinhos nacionais ao cinema brasileiro, que segundo ele, funciona igual. O roteiro seria só um guia básico para as improvisações do diretor e do elenco, durante as filmagens.
Acho meio injusta essa comparação, tendo em vista que estamos falando de mídias diferentes e já que ele tirou o time dos mais-mais de campo, sobram apenas os "independentes" na parada. E comparar trabalho pago com trabalho muitas vezes nem um pouco remunerado é muito foda!

Mas ele dá algumas explicações sobre os "porquês" de sua opinião e eu transcrevo-as assim como ele postou:

Primeira: nos quadrinhos, o Brasil segue a tradição do cartum, com uma pessoa só assinando texto e arte. Temos uma renca de ótimos cartunistas, chargistas, ilustradores. Nunca tivemos uma verdadeira indústria de HQ brasileira, que exigisse a divisão de funções e o ritmo industrial de produção. Quando tivemos, criamos roteiristas eficientes - seja na Abril dos anos 70 e até 80, seja nos estúdios de Maurício de Souza.

Concordo! E isso seria um sonho! Eu atualmente estou tentando fazer uma HQ a meses e não consigo pelo simples fato de que tenho emprego, faculdade e família pra me preocupar. Mas será que só isso resolveria a situação? Ter um mercado? Lembra o que eu postei aqui sobre isso?
Será que o roteirista brasileiro está preparado pra isso? 

Segunda boa explicação: publicamos poucos quadrinhos brasileiros. Os roteiristas têm poucas chances de exercer sua vocação, enquanto os ilustradores precisam continuar trabalhando sem parar, seja em ilustração comercial, editorial ou onde seja. É como no rock: se você toca pouco, não aprende a fazer show.

Acertou de novo! E não só isso. Se o cara não estuda, ou no caso dos roteiristas, não lêem muito e sobre variados temas, não vai adiantar muito só escrever. Vai sair porcaria.
O que eu vejo é que existem um monte de guris imitando o modelo americano de contar história e não sabem colocar nada de interessante pra agregar no roteiro.
Estamos cansados de ver gurias gostosas sendo atacadas em um beco escuro por assaltantes para que o herói seja apresentado. Isso tá mais do que batido!
Não é a toa que as melhores HQs do momento, pelo menos as mais badaladas, são aqueles em que o cara pega um "Quincas Borbas" pra ilustrar. Autores consagrados da literatura brasileira + boas ilustrações = $$$.
Aí não tem como se preocupar em dar chance pra roteiristas novos. Ninguém vai chegar nesse patamar tão rápido!

Terceira boa explicação: como publicamos poucos quadrinhos brasileiros, temos uma imprensa especializada condescendente. Qualquer trabalho assinado por um brasileiro merece aplausos, no mínimo por ter conseguido existir. Junte isso ao estilo natural do brasileiro, de evitar conflitos a qualquer custo, e estamos bem arrumados.

Também acho que tem muita porcaria no mercado e que tem vários baba-ovos pra aplaudir revistas no mínimo risíveis. Mas aí é que entram outros fatores, que é o da panelinha editorial. Todo mundo é muito amigo nesse meio, e fica chato falar mal da galera que anda contigo, né? Mas aí estamos falando de novo de pessoas que já estão na mídia e que, de um jeito ou de outro, já fazem parte da panela onde se incluem os medalhões!
De quais roteiristas ele deve estar falando?
Esses caras que são aplaudidos condescendentemente pela imprensa "especializada" não são os mesmos que estão sempre juntos dos melhores roteiristas? Será que esse povo não troca informações? Seria bom então um toque dos professores aos seus alunos, não acha?

Forastieri ainda comenta sobre a principal fonte de financiamento do quadrinho nacional nos dias de hoje, que são as leis de incentivo, através de dinheiro público.
O que tem salvo muita gente que quer publicar seu trabalho. Eu me incluo nisso, pois graças a Subversos pude mostrar minhas histórias. Mas sei que nem sempre o resultado é bom.
Existem muitas falhas de roteiro, de ilustração, de editoração, etc.
Mas é um caminho, que o próprio mercado tem oferecido no momento, e tem sido feito com resultado superior a fanzines e muitas vezes até a revistas!

Vejam bem, eu não estou criticando o post que ele fez, nem suas opiniões. De maneira nenhuma!
Só estou expondo meu ponto de vista sobre seu post e nada mais. Quero entender o que ele chama de bons e maus roteiristas.
Acho que esse tipo de coisa que ele está fazendo, abrir uma possibilidade de discussão sobre o assunto em seu blog, é fantástica!

Então sugiro que vocês leiam o post dele na integra, divulguem e debatam se possível!

Quem sabe a gente não acha um meio de melhorar o sistema e os futuros roteiros?

Talvez o mercado não esteja assim tão longe, tendo em vista os lançamentos de Jambocks (publicado pela Zarabatana Books) e Joquempô (pela Devir). Ambas são trabalhos selecionados no edital de incentivo à produção de histórias em quadrinhos, mantida pela área de cultura do governo paulista e prometem se prolongar por mais de duas edições. Jambocks em quatro e Joquempô, mais audaciosa,  pretende se extender por 11 arcos!
Mas será que elas serão avaliadas como bons roteiros no final?
Ou não passarão de revistas que serão lembradas pelas suas belas ilustrações?

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