Blogger templates

Mostrando postagens com marcador Hqs. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hqs. Mostrar todas as postagens

14 de set. de 2011

Resenha: Avante Vingadores #48


Depois dos eventos passados na saga O Cerco que precedeu Reinado Sombrio, onde Normal Osborn era o grande manda-chuva da SHIELD e os heróis, principalmente os Vingadores originais, estavam todos acuados, é dado o pontapé inicial para a chamada "Era Heróica" com essa fantástica história.
Os três maiores e mais importantes Vingadores estão unidos novamente contra um mal que vai além desse mundo!
Logo após a queda de Osborn e consequentemente de Asgard, Thor, Steve Rogers e o Homem de Ferro são teletransportados à deriva pelos nove mundos da mitologia nórdica e precisam colocar suas diferenças de lado para enfrentar Hela e evitar que os nove reinos caiam nas mãos poderosas da Deusa da Morte!

18 de fev. de 2011

Os melhores coisas de 2010


Taí uma pequena lista das coisas que mais gostei de ter visto e vivido em 2010.
Sei que esse tipo de lista geralmente sai entre Dezembro e Janeiro, mas naqueles meses estava impossível fazer qualquer coisa relacionada a este blog.

  • Melhores séries - Fringe, Lost, The Walking Dead, The Office.
  • Animação - qualquer coisa que a DC fez, principalmente Batman, Shrek para sempre (mesmo que a animação tenha descambado mais para a ação/drama do que para a comédia), Meu Malvado Favorito, Como Treinar o Seu Dragão.

  • Filmes - Machete, RED, Um Parto de Viagem, Scott Pilgrim, A Origem, Kick Ass, Esquadrão Classe A, Prince of Persia, Homem de Ferro 2, The Losers, Ilha do Medo, Zumbilândia.
  • Melhores HQs - série Vertigo da Panini especialmente Vampiro Americano, Cachalote, Necronauta, Bando de Dois, a nova fase do Homem Aranha, a republicação do especial Demônio na Garrafa do Homem de Ferro, RED – Aposentados e Perigosos, de Warren Ellis e Cully Hamner, MSP +50, vários autores (Panini), a linha de encadernados especiais da Panini que trouxe histórias de personagens icônicos da Marvel como Capitão América, Homem Aranha, Namor com roteiros surpreendentes e fora da cronologia normal, como o fantástico Magneto: Testamento e Scott Pilgrim vs. The World.

  • Música - ouvi pouca coisa nova que seja relevante comentar, mas tive boas surpresas em relação à música nesse ano. O que posso lembrar de momento é Edward Sharpe and the Magnetic Zeros, o popzinho de Kate Nash que tem umas letras bem interessantes e uma voz muito agradável, o novo álbum do Pearl Jam ao vivo,ouvi bastante Arcade Fire também, sem dúvida a banda The Black Keys entra nessa lista, pois me deu uma esperança que o bom e velho Rock n´ Roll tava vivo e tocando num desses barzinhos escondidos e esfumaçados de cigarro, The National e o novo e fantástico álbum do guitarrista Slash com participação de vários músicos. Enfim, é o que eu lembro agora... Fora o fato de ter perdido o mega show do Rage Against The Machine no festival SWU, apenas porque não atendi à chamada de um amigo que JÁ havia comprado um ingresso de presente para mim!

Bom, é isso. Meu 2010 foi mais ou menos assim.

21 de dez. de 2010

Black Hole - O Filme


Confesso que me deparei com Black Hole, do quadrinista americano Charles Burns, por várias vezes nas prateleiras das livrarias que frequento e apesar das poucas, mas boas críticas que ouvi sobre esse trabalho, nunca tive "coragem" pra arriscar à comprar as HQs. Tanto pelo preço e por não saber muito do conteúdo delas.
Hoje, após ver essa pequena prévia do que pode ser o filme baseado na HQ, tive que repensar seriamente e ver se consiguo ler algo, antes que o filme desponte por aí no "circuito alternativo".
Por aqui, a Conrad Editora foi a responsável pelo lançamento dos dois volumes no Brasil.

Pra quem não sabe, a série fala sobre um vírus que se espalha através de relações sexuais, em adolescentes, provocando alterações corporais e mortes bizarras. Situada na Seattle dos anos 70, o autor mistura elementos autobiográficos a um tom de extremo mistério. A obra levou 10 anos para ser concluída e foi publicada como minissérie em 12 edições, de 1995 a 2005.
Ganhadora de sete prêmios Harvey (seis para melhor arte-finalista e um por capista), levou mais um na publicação do volume único da obra, no ano passado, e um prêmio Eisner Awards de melhor Graphic Novel por sua republicação.
Como a série vem sendo bastante elogiada por grande parte da imprensa, Black Hole já garantiu sua adaptação para o cinema, com roteiro escrito por ninguém menos que Neil Gaiman (Sandman) e Roger Avary (Pulp Fiction)! A mesma dupla que colaborou em Beowulf.


Quando eu vi o vídeo pela primeira vez, achei que fosse um fan film desses que você encontra pela internet, mas não. O papo é sério, bro!
A qualidade e efeitos especiais era muito pra ser apenas um filme de fã. Aparentemente, esse curta é apenas um teste para ofertar as grandes distribuidoras (como a Paramount Pictures). Portanto, não há nenhum sinal de que realmente o filme está sendo feito.
Melhor. Isso me dá tempo de explorar mais sobre Black Hole, afinal, não quero chegar ao cinema sem saber o mínimo necessário sobre a série.





Black Hole, saiu em dois volumes sendo: Volume 1 - Iniciação à Biologia e Volume 2 - O Fim, e você pode adquirí-los no website da Conrad, aqui. (Cadê meu $$$ pela propaganda, Conrad?)


Outra coisa interessante sobre a HQ é que um estúdio de fotografia e retoques digitais, chamado The Operators, disponibilizou em seu website um editorial, criado em parceria com o artista de efeitos especiais Bill Turpin, com fotos das deformações bizarras nos corpos dos adolescentes, baseadas nos personagens da revista.

Na HQ, Burns publicava na contracapa, um desenho no estilo das tradicionais fotos de Yearbook dos colégios americanos.
Veja as mais interessantes.







6 de nov. de 2010

Resenha: Scott Pilgrim Vs. The World!


Sinceramente eu tentei ler até o fim a história de Scott Pilgrim nas HQs antes de ver o filme, mas não foi possível. Mas isso não atrapalhou de forma alguma o entendimento do filme, muito menos mudaria minha opinião sobre ele... Antes de começar a falar do filme em si, é melhor deixar pelo menos uma pequena sinopse do que é a série de histórias em quadrinhos intitulada Scott Pilgrim contra o mundo!
Criada por Bryan Lee O'Malley, ela é composta de seis volumes em formatinho/brochura e toda desenhada em preto e branco (fora a capa que é colorida). O primeiro volume foi lançado em 2004 e o último recentemente publicado. A Editora Companhia das Letras publicou Scott Pilgrim aqui no Brasil em março de 2010.
A série é bastante influenciada pelos mangás e video games em seu traço e forma narrativa. Porém, todos os cenários da história são reais, todos presentes na cidade de Toronto. A série é muito conhecida também pelas referências a cultura pop no cinema e música. Referência essa que Brian Lee O'Malley utilizou até para escolher o nome do protagonista da série, Scott Pilgrim, que recebeu esse nome por causa de uma música da banda de indie-rock Plumtree, composta apenas por mulheres.


 
Basicamente o filme segue o mesmo enredo das HQs: Scott Pilgrim é um canadense de aproximadamente 24 anos, que mora e divide a cama com um amigo gay, preguiçoso, sem muita direção na vida, baixista de uma banda de garagem chamada "Sex Bob-OMB", que "namora" uma colegial asiática de 17 anos, mas que xaveca toda mulherada com o mesmo papo se utilizando de sua cultura nerd, enfim, um anti-herói simpático que vive em Toronto, no Canadá. Ele se apaixona pela entregadora de encomendas Ramona Flowers, uma linda menina americana que muda a cor de seu cabelo a cada 10 dias, e descobre que para poder ficar com ela, ele deverá enfrentar (e derrotar) os sete "ex-namorados do mal" da garota.


Um enredo realmente louco para um filme, e o que Scott Pilgrim Contra O Mundo fez foi exatamente dar a um filme classificado como aventura/comédia, uma roupagem muito original, utilizando todos os elementos da HQ, de recordatórios à onomatopéias que "pulam" na tela até às referências "gamers" como a chuva de moedas que acompanham um inimigo vencido!
Aliás, o filme é bem isso, um amontoado de referências pops e diálogos equilibrados e engraçados, mas que é muito voltado à cultura de jogos eletrônicos! É um filme puramente voltado à homenagear os videogames! As surpresas começam logo na abertura, com o logo da Universal em estilo dos games de 16 bits e uma música sintetizada igualmente as aberturas de alguns desses games.


Há trechos da trilha sonora de jogos clássicos como Zelda e Super Mario Brothers, conversas sobre o assunto espalhados por toda a história e inseridos na trama quando, os exes de Ramona, todos muito malvados e dispostos a acabar com Pilgrim, confrontam o herói em fabulosos e absurdos duelos, onde as clássicas aberturas de "Fight!" presentes em jogos como Tekken ou Street Fighters podem ser reconhecidas.


Não é a toa que Scott Pilgrim acabou virando também um jogo de videogame, no melhor estilo arcade, tipo a mesma plataforma de jogos como Double Dragon e similares, cheio de cores brilhantes, sons característicos e fases com chefões! Tem até o desafio de baixos está lá, assim como também está presente nas mídias que o antecederam.


Aliás, como o filme é situado no mais significativo cenário musical do Canadá, a cidade de Toronto, este é um filme sobre música também. Cheio de músicas pós-grunge e indie-rock, o filme acaba agradando em sua trilha sonora também. Uma das partes mais divertidas, por falar em música, é a parte onde Pilgrim entra em casa, logo depois do primeiro encontro com Ramona, onde a música tema de Seinfeld toca e a cena se desenrola com total referência (e reverência) a um dos melhores sitcoms do mundo!

Eu ri muito com o filme, principalmente porque você já reconhece de cara que ele não pede para ser levado a sério.


O filme é cheio de personagens adolescentes estereotipados e caricatos, mas esse tom caricatural dado aos personagens não tira deles sua credibilidade ou carisma e o diretor Edgar Wright e os atores conseguiram passar uma sinceridade bacana nos propósitos de cada um, pessoas que ainda não se encontraram e buscam através da música ou nas suas relações interpessoais a resposta para seus conflitos internos e a busca por um amadurecimento. O amadurecimento em questão, está relacionado a valores muito mais profundos e nobres, como aprender a respeitar os sentimentos alheios. Mas não pense que esse amadurecimento significa deixar de lado os hábitos, as roupas e cortes de cabelo esquisitos, nem mesmo sua visão distorcida do mundo.
O filme também emula o universo nerd de seus personagens para estabelecer suas personalidades, assim como também cada ex representa uma espécie de metáfora sobre os medos e obstáculos que impedem um jovem adolescente de evoluir, assim como, literalmente, numa fase de um jogo de videogame.


O roteiro é muito bem humorado e Wright, em parceria com Michael Bacall, conduz muito bem a aventura adolescente rumo ao autoconhecimento.
Michael Cera (Pilgrim) está muito bem no filme, e não tem como olhar pra cara dele e não dar risada, assim como Kieran Culkin, que faz Wallace Wells, o amigo gay e sarcástico dele.
A chinesinha colegial Knives Chau (Ellen Wong) e o Jovem Neil (referência mais que direta ao cantor/compositor Neil Young, feito pelo ator Johnny Simmons) também são dois coadjuvantes bem legais e que fizeram uma certa diferença no filme.


A gatíssima Mary Elizabeth Winstead (Ramona Flowers) também está ótima nas filmagens e sua luta, com uma de suas ex é muito foda! Aliás, as cenas de ação desse filme são todas muito boas.


Por falar em luta, ainda temos a participação de Brandon Routh e Chris Evans (respectivamente Superman e Tocha Humana/Capitão América, ambos atores que já fizeram algo relacionado à filmes de super-heróis) como dois dos ex-namorados brigões que levam pau de Pilgrim no filme.
O filme ainda conta com Alison Pill (a batera mal-humorada Kim Pine) e Mark Webber (o vocal/violão do Sex Bob-Omb, Stephen Stills).
Três passagens interessantes, a camisa de Scott com o símbolo do 4 ¹/² do Quarteto Fantástico, a camisa que ele sempre usa com um coração formado pelas letras SP podiam até signicar as iniciais de seu nome, mas é o logo da banda Smashing Pumpkins e na festa o cara que conhece todo mundo, Comeau, cita que "A HQ é bem melhor que o filme"! =)

 
Apesar de sua estreia fraca nos EUA (lançado em agosto por lá, arrecadando apenas 4,7 milhões de dólares) o filme que custou a bagatela de 60 milhões, tem sido bem comentado. Não sei como será a reação do público aqui no Brasil, mas pra mim já é um dos filmes mais divertidos do ano. Pra quem já foi um desses garotos viciados em games na infância Scott Pilgrim vs. The World. é uma boa pedida de entretenimento! Uma ode à juventude e ao tempo gloriosamente desperdiçados com estes descartáveis prazeres que são os consoles de jogos, a televisão, a música e os filmes. À todos os aficcionados e saudosistas de um bom game de ação e aventura, mas com toques de humor...

Se você vai gostar do filme ou não, é problema seu, porque assim como existem pessoas que curtem Alex Kidd e Robot Unicorn Attack, Scott Pilgrim é um desses games/filmes/Hqs que te cativam ou não. Independente da sua capacidade para afinar o seu ouvido pras ideias e músicas novas ou de ter pegado num joystick quando criança.


Nota: 9

23 de jun. de 2010

Resenha: (HQ) INVASÃO DOS MORTOS


Invasão dos Mortos, o novo thriller de terror em quadrinhos que chegou às lojas brasileiras a pouco, lançado pela Gal Editora, apresenta o investigador freelance Antoine Sharpe, também conhecido como “o ateu”, e é sem dúvida um dos melhores lançamentos de quadrinhos desse ano!
O engraçado é que eu cheguei a folhar essa revista na FNAC sem muito interesse e lembro de ter achado os desenhos fracos, mas depois que um amigo me emprestou pra ler (é, tenho amigos que fazem isso porque sabem que eu tomo conta muito bem das revistas) é que eu percebi o quanto eu tava errado!

Sharpe é sensitivo, porém um descrente em tudo aquilo ligado ao espiritual. Contraditório? Nem tanto. Ele só precisa de provas de que aquilo existe, então à partir daí, ele começa a acreditar que existe!
Ele é membro de uma agência secreta do governo norte-americano e volta e meia se vê à frente de casos paranormais, investigando possíveis ameaças sobrenaturais, que logo após são rechaçadas como mais uma maluquice fácil de se explicar científicamente. Sharpe é o maior de todos os céticos, o que o faz um personagem muito interessante, já que é sempre jogado nessas missões. Ele  nunca tinha encontrado nada que o fizesse mudar de ideia, até aparecer uma legião de "supostos" zumbis de várias partes dos EUA, indo em direção a Winnipeg, no Canadá e ameaçando não só a cidadezinha, mas todo o planeta!
Sharpe ainda cético, e com a ajuda da agente canadense Melissa Nguyen e de um cientista gênio que mais parece um tumor ambulante, vai investigar e descobre que não se trata nem de alucinação em massa, sua primeira aposta, e muito menos se trata de zumbis.
Os mortos estavam voltando ao nosso mundo e invadindo corpos alheios, dando origem a uma onda de terror, banhada a muito sexo, bebedeiras e violência.
Posso falar isso numa boa, pois não é spoiler, porra!
Logo no início da saga você já percebe isso. E é exatamente o fato desses mortos não serem zumbis e sim incorporações dos mortos é que torna essa HQ mais legal a cada página!

Ela foi brilhantemente escrita por Phil Hester e desenhada nos primeiros capítulos por John McCrea, um desenhista que lembra em muito os traços de Frank Miller, por usar bastante contraste de sombras e luz, só que um Miller dez vezes melhorado. No capítulo final Will Volley destrói nos desenhos, com os mesmos elementos dos melhores desenhos em preto e branco para quadrinhos que você possa ver! Se ele fosse o artista principal, essa série cresceria muito no meu conceito e na nota.

Publicada originalmente nos Estados Unidos em quatro edições entre abril de 2005 e novembro de 2007, essa série ganhou uma versão encadernada em 2008.

Essa grande história de suspense e terror está sendo comparada a trabalhos de Alan Moore e Warren Ellis e não é pra menos já que Phil Hester já escreveu coisas como The Darkness, Vampirella e Raça das Trevas! Além de já ter desenhado o Monstro do Pântano.
Esse cara já foi indicado diversas vezes ao prêmio Eisner, e boto a maior fé de que ele dessa vez ganha se for indicado.
Recomendado, galera! Pode comprar sem erro.

Nota 9!

24 de mai. de 2010

"Por que não temos bons roteiristas de quadrinhos no Brasil?"


Essa pergunta foi feita a alguns dias atrás no blog do André Forastieri e devidamente respondida pelo mesmo. Pelo menos aquilo que ele acha quais são os motivos.
Tenho que concordar com o cara em certos quesitos, mas acho que o buraco é mais embaixo. Tanto que os comentários foram abarrotados de opiniões diversas sobre o caso.

Concordo quando ele diz que o quadrinho brasileiro está repleto de ilustradores talentosos, só que ele declara que temos "um deserto de roteiristas competentes". E ele nem está falando dos criadores de primeiro time. E também não menciona quem são esses criadores de 1° escalão.
Imagino que ele tirou todos os medalhões da parada, os mais famosos, mas não excluiu talvez os vários professores de roteiro de HQ que tem por aí. Se não, como explicar essa opinião? Estão fazendo o serviço mal feito?
Hordas de pessoas fazem esses cursos todo ano, então só me leva a crer que eles não estão aprendendo o feijão com arroz dos roteiros de quadrinhos...

Ele compara os quadrinhos nacionais ao cinema brasileiro, que segundo ele, funciona igual. O roteiro seria só um guia básico para as improvisações do diretor e do elenco, durante as filmagens.
Acho meio injusta essa comparação, tendo em vista que estamos falando de mídias diferentes e já que ele tirou o time dos mais-mais de campo, sobram apenas os "independentes" na parada. E comparar trabalho pago com trabalho muitas vezes nem um pouco remunerado é muito foda!

Mas ele dá algumas explicações sobre os "porquês" de sua opinião e eu transcrevo-as assim como ele postou:

Primeira: nos quadrinhos, o Brasil segue a tradição do cartum, com uma pessoa só assinando texto e arte. Temos uma renca de ótimos cartunistas, chargistas, ilustradores. Nunca tivemos uma verdadeira indústria de HQ brasileira, que exigisse a divisão de funções e o ritmo industrial de produção. Quando tivemos, criamos roteiristas eficientes - seja na Abril dos anos 70 e até 80, seja nos estúdios de Maurício de Souza.

Concordo! E isso seria um sonho! Eu atualmente estou tentando fazer uma HQ a meses e não consigo pelo simples fato de que tenho emprego, faculdade e família pra me preocupar. Mas será que só isso resolveria a situação? Ter um mercado? Lembra o que eu postei aqui sobre isso?
Será que o roteirista brasileiro está preparado pra isso? 

Segunda boa explicação: publicamos poucos quadrinhos brasileiros. Os roteiristas têm poucas chances de exercer sua vocação, enquanto os ilustradores precisam continuar trabalhando sem parar, seja em ilustração comercial, editorial ou onde seja. É como no rock: se você toca pouco, não aprende a fazer show.

Acertou de novo! E não só isso. Se o cara não estuda, ou no caso dos roteiristas, não lêem muito e sobre variados temas, não vai adiantar muito só escrever. Vai sair porcaria.
O que eu vejo é que existem um monte de guris imitando o modelo americano de contar história e não sabem colocar nada de interessante pra agregar no roteiro.
Estamos cansados de ver gurias gostosas sendo atacadas em um beco escuro por assaltantes para que o herói seja apresentado. Isso tá mais do que batido!
Não é a toa que as melhores HQs do momento, pelo menos as mais badaladas, são aqueles em que o cara pega um "Quincas Borbas" pra ilustrar. Autores consagrados da literatura brasileira + boas ilustrações = $$$.
Aí não tem como se preocupar em dar chance pra roteiristas novos. Ninguém vai chegar nesse patamar tão rápido!

Terceira boa explicação: como publicamos poucos quadrinhos brasileiros, temos uma imprensa especializada condescendente. Qualquer trabalho assinado por um brasileiro merece aplausos, no mínimo por ter conseguido existir. Junte isso ao estilo natural do brasileiro, de evitar conflitos a qualquer custo, e estamos bem arrumados.

Também acho que tem muita porcaria no mercado e que tem vários baba-ovos pra aplaudir revistas no mínimo risíveis. Mas aí é que entram outros fatores, que é o da panelinha editorial. Todo mundo é muito amigo nesse meio, e fica chato falar mal da galera que anda contigo, né? Mas aí estamos falando de novo de pessoas que já estão na mídia e que, de um jeito ou de outro, já fazem parte da panela onde se incluem os medalhões!
De quais roteiristas ele deve estar falando?
Esses caras que são aplaudidos condescendentemente pela imprensa "especializada" não são os mesmos que estão sempre juntos dos melhores roteiristas? Será que esse povo não troca informações? Seria bom então um toque dos professores aos seus alunos, não acha?

Forastieri ainda comenta sobre a principal fonte de financiamento do quadrinho nacional nos dias de hoje, que são as leis de incentivo, através de dinheiro público.
O que tem salvo muita gente que quer publicar seu trabalho. Eu me incluo nisso, pois graças a Subversos pude mostrar minhas histórias. Mas sei que nem sempre o resultado é bom.
Existem muitas falhas de roteiro, de ilustração, de editoração, etc.
Mas é um caminho, que o próprio mercado tem oferecido no momento, e tem sido feito com resultado superior a fanzines e muitas vezes até a revistas!

Vejam bem, eu não estou criticando o post que ele fez, nem suas opiniões. De maneira nenhuma!
Só estou expondo meu ponto de vista sobre seu post e nada mais. Quero entender o que ele chama de bons e maus roteiristas.
Acho que esse tipo de coisa que ele está fazendo, abrir uma possibilidade de discussão sobre o assunto em seu blog, é fantástica!

Então sugiro que vocês leiam o post dele na integra, divulguem e debatam se possível!

Quem sabe a gente não acha um meio de melhorar o sistema e os futuros roteiros?

Talvez o mercado não esteja assim tão longe, tendo em vista os lançamentos de Jambocks (publicado pela Zarabatana Books) e Joquempô (pela Devir). Ambas são trabalhos selecionados no edital de incentivo à produção de histórias em quadrinhos, mantida pela área de cultura do governo paulista e prometem se prolongar por mais de duas edições. Jambocks em quatro e Joquempô, mais audaciosa pretende se extender por 11 arcos!
Mas será que elas serão avaliadas como bons roteiros no final?
Ou não passarão de revistas que serão lembradas pelas suas belas ilustrações?

4 de mai. de 2010

Em Louvor aos Quadrinhos Clássicos

Em meados da década de 1930, as tiras de jornal em quadrinhos nos E.U.A floresceu para as conhecidas comics. Famous Funnies, publicada em 1934, é considerada a primeira revista em quadrinhos e ajudou a inaugurar o que os fãs do gênero costumam citar como a Idade de Ouro dos quadrinhos, que vai de 1930 até o final dos anos 40.






Fotos: LIFE

16 de jan. de 2010

O Anjo da Guarda

Mais uma HQ de minha autoria por aqui.
Essa era pra ser só uma ilustração para a revista Subversos #5, mas resolvi colocar algum texto para dar mais profundidade ao tema.
Sempre achei muito louco essa parceria que rola entre moradores de rua e cachorros.
Sem dúvida, esses cães são muito mais bem tratados do que muitos que tem casa!




Já fazia um tempo que tinha a ideia de fazer uma HQ onde mostrava a vida de mendigos, onde eu colocaria os cachorros como seus anjos da guarda... bom, é uma ideia que ficou no papel até aparecer a oportunidade de fazer essa ilustra.

12 de nov. de 2009

Alan Moore e Gorillaz!?!


O cabeludão Alan Moore, escritor e criador de obras como “Do Inferno”, “Liga Extraordinária”, “Constantine”, “V de Vingança” e “Watchmen”, fechou uma parceria com o cantor e compositor Damon Albarn, da banda Blur, e o desenhista Jamie Hewlett, não o Wolverine, mas o criador de “Tank Girl”.

Pra quem não sabe, Albarn e Hewlett criaram juntos o projeto da banda animada Gorillaz.

Eles foram atrás do bruxo para propor a criação de um libreto para acompanhar uma nova ópera da dupla. Moore fez uma contraproposta, quis que eles o ajudassem com o seu "Dodgem Logic”, uma espécie de jornal "underground" de publicação bimestral comum nos anos 60 que ele vem mantendo. Mas não apenas com uma entrevista e sim com algumas páginas para editar.

Ou seja, a parceria vai rolar. E dependendo de como as coisas se encaminharem, poderemos ainda ver, num futuro próximo, uma HQ dos Gorillaz escrita pelo "mente brilhante" do Moore!

Putz! Eu ia curtir muito!!!




Fonte:

9 de nov. de 2009

Para ler: The Umbrella Academy, Hellboy e Punho de Ferro.

Essas são as boas da semana!

Tem bastante coisa boa saindo este mês e eu reservei 3 lançamentos legais, que acabei de ler, para indicar aqui.



O primeiro é  HELLBOY - A Capela de Moloch / O Vigarista (Mythos Editora - preço R$31,90 aqui - 120 páginas).

Depois de ver uma resenha no UHQ, onde eles avisavam sobre o anti-clímax que a história que fecha a edição provoca, resolvi começar a leitura por ela e confesso que não entendi o por quê de tal afirmação. A verruga foi publicada originalmente numa edição especial para o "Free comic book day", evento anual que rola nos EUA e distribui quadrinhos produzidos ou escolhidos especialmente para a data, tem os textos de Mike Mignola e Duncan Fegredo assumindo a arte.
Cara, o Mike acertou em cheio em ter escolhido o Fegredo para ser um dos principais desenhistas de Hellboy. O cara consegue ser melhor que o Mike nos desenhos!
As cenas ficaram perfeitas e o clima de "sonho" na história está bem representada.
Achei uma história muito boa para uma HQ não paga.

Passei depois para A capela de Moloch, a história principal que conta sobre um pintor contemporâneo que aluga uma propriedade ao sul de Portugal, para preparar sua nova exposição. O ateliê do artista que fica numa capela anexa ao terreno fica fechada durante à noite e parecem acontecer coisas bizarras com o artista durante esse período, então Hellboy é chamado para investigar.
Apesar dessa HQ ser a primeira desenhada por seu criador desde 2005 e ter gerado uma espectativa tremenda em mim, não senti muita firmeza no roteiro. Não curti muito a história. Achei a história fraca, meio morna e com final decepcionante.
Mas vale pela arte de Mike Mignola e pela citação às obras de Goya, que realmente são sombrias e assustadoras!
Ah! Moloch, a divindade cultuada pelos povos antigos, como os cananeus e hebreus e citada no Velho Testamento, foi um dos primeiros "demônios" da história e no glossário da edição não fala sobre isso, mas ele é representado no famoso gesto que os metaleiros fazem enquanto balançam suas cabeleiras. É, aquele que, segundo alguns pastores de igreja evangélica, o Homem Aranha também faz. =)

O vigarista, com texto de Mike Mignola e Richard Corben na arte, mostra Tom Ferrel, um andarilho que se envolveu com bruxaria na juventude e que retorna para casa, nos Montes Apalaches, depois de 20 anos para  buscar sua redenção. Hellboy, que age na história como um quase coadjuvante, se junta a ele para solucionar o problema.

Essa história ganhou o prêmio Eisner de melhor minissérie publicada de 2008.
E é extremamente justificável.
Apesar de não ter apreciado tanto a arte de Corben no começo, reconheço que para contar uma história de terror, provavelmente não há ninguém melhor. O climão de "Contos da Cripta" que lia quando moleque tá lá e isso me agradou muito!
No fim a arte casa perfeitamente com a proposta da história. Uma das grandes histórias de Hellboy!





The Umbrella Academy: Suíte do Apocalipse (Devir - R$ 26,99 aqui - 192 páginas)

Publicada originalmente pela casa norte-americana de Hellboy a Dark Horse Comics, a obra tem roteiros de Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance e arte de Gabriel Bá, de 10 Pãezinhos.

Umbrella Academy, conta a história de um grupo de 7 jovens com poderes especiais. Depois que 43 crianças nascem simultaneamente, de forma inexplicável, com superpoderes e  de mulheres que não estavam grávidas, o mundialmente famoso empresário milionário, Reginald Hargreeves, mais conhecido como "Monóculo", também cientista e inventor, resolve adotar 7 dessas crianças e treiná-los como uma equipe de super-heróis.

Cada uma dessas crianças é denominada como um número:

Nº 1 - Luther, codinome Spaceboy, líder e mais forte do grupo, "ganhou" o corpo de um gorila depois de um acidente;  Nº 2 - Diego, codinome Kraken, é o badass do grupo, bom com facas é do tipo calado, autêntico anti-herói solitário e justiceiro, Nº 3 - Allison, codinome Rumor, tem o poder de fazer tornar verdade qualquer coisa que fale, Nº 4 - Klaus, codinome Seance, que pode levitar e se comunicar com os mortos (um personagem interessante, porém o aspecto "eminho" o estragou um pouco), Nº 5 - é um dos pivôs da história, capaz de fazer viagens temporais, Nº 6 - Ben, codinome Horror, apesar de não aparecer muito nessa  série é um dos personagens que mais curti em questão de visual e características, ele tem monstros de outras dimensões embaixo de sua pele e projeta uma espécie de tentáculos de polvo pela barriga!
A Nº 7 -Vanya, aparenta não ter poder algum no início da série, mas é a peça central dela depois que se torna a Violino Branco.

Gerard me surpreendeu na narrativa, pois demonstrou ter um estilo bem quadrinistíco para escrever. No primeiro capítulo ele parece querer representar a trajetória dos super-heróis  de uma era mais "inocente", onde as aventuras eram mais coloridas, bobinhas e até absurdas, como combater uma Torre Eiffel enlouquecida, pilotada pelo seu construtor Gustave Eiffel, numa versão robô-zumbi, até o fechamento da série, com os personagens mais maduros, próprio das últimas décadas de quadrinhos, depois da criação de obras como Watchmen e Cavaleiro das Trevas

Todos os elementos comumente usados nas narrativas quadrinisticas estão lá, como viagem temporais, dissolução do grupo e reunião do mesmo em torno de uma iminente ameaça, membros mortos e desaparecidos, longas explicações de planos diabólicos por parte do vilão, nascimento de novos vilões e personagens com problemas emocionais, mas isso tudo, com muita criatividade.
Os bons diálogos e os momentos de ação são equilibrados e precisos. A violência presente na série foi uma coisa muito bem vinda no meu ponto de vista. Faz tempo que não lia algo desprovido de puritanismo e censura. Atirar raios de energia e só provocar dor é coisa de "Super Amigos", não acha?
Aliás, rolaram mortes nessa história que eu não esperava. E isso é muito legal! É como ler algo do Tarantino em quadrinhos (guardadas as devidas proporções, lógico!). Não importa se o personagem é bom, se é necessário que ele morra, ele deve morrer!

Quanto a arte, não foi à toa que Gabriel Bá foi indicado ao prêmio de melhor artista no Scream Awards e no The Harvey Awards de 2008, por The Umbrella Academy - Apocalypse Suite. Já devo ter falado por aqui que sou fã do traço do cara. E nesse álbum ele está desenhando dez vezes mais!
Acho seu traço bem parecido com o de Mike Mignola e não vejo a hora de ver algo dele em Hellboy.
Esse é seu primeiro trabalho no mundo dos "super-heróis", diga-se de passagem, e ele mandou muito bem!

Gerard Way usou a técnica de começar a história da Umbrella Academy pelo fim, o que garante que muitas outras podem vir, falando sobre eventos do passado dos personagens não esclarecidos até então. Espero que isso seja verdade!
The Umbrella Academy, que foi publicado originalmente como minissérie, chega ao Brasil como encadernado e traz todas as capas feitas por James Jean e alguns extras bem legais como os desenhos feitos pelo próprio Gerard Way para retratar seus personagens, desenhos de estudo do Bá e mais duas histórias curtas. A primeira, muito fraquinha, vi pela primeira vez na internet, mas serviu para que eu conhecesse o trabalho. A segunda, …Mas o Passado não perdoa, também foi publicada numa edição promocional da Dark Horse para o Free Comic Book Day de 2007, e mostra melhor os integrantes Rumor e Horror.



Umbrella Academy - The Apocalypse Suite venceu o prêmio de melhor minissérie no Eisner Award! Portanto, vale a pena dar uma conferida.




MARVEL APRESENTA # 43 - O IMORTAL PUNHO DE FERRO - AS 7 CIDADES CELESTIAIS (Panini Comics - preço R$17,90 - 160 páginas)

Homens de uma certa convicção fatal (publicamente originalmente em The immortal Iron Fist annual # 1) - Ed Brubaker e Matt Fraction (roteiro), Howard Chaykin, Dan Bereton e Jelena Kevic Djurdjevic (arte) e Edgar Delgado (cores);

Danny Rand, o Punho de Ferro é levado à cidade mítica de Kun Lun em um torneio com outras seis cidades celestiais, porém ele precisa impedir que a Hidra conclua seus planos de conquista da Terra através dos poderes da cidade mágica. Além de mostrar sua aprendizagem sobre a tradição dos imortais Punhos de Ferro, é mostrado o passado de seus antecessores.

Essa edição não é superior a brilhante história publicada em Marvel Apresenta #35, mas  apresenta a sequência dessa história e a conclui na n° 45.

Ed Brubaker e Matt Fraction revitalizaram muito bem o personagem da Marvel colocando-o num conceito interessante, onde ele faz parte de uma linhagem de grandes lutadores, detentores do poder da poderosa cidade de Kun Lun. Punho de Ferro fez sucesso nos anos 1970, quando um monte de coisa relacionada a Kung Fu também fazia.

A primeira história, A rainha pirata da baía de Pinghai traz no roteiro assinado por Ed Brubaker e Matt Fraction, um incrível tom das lendas orientais. Talvez o fato de ter sido feito a 3 mãos (Travel Foreman, Leandro Fernandez e Khari Evans), a arte apresente algumas nuances, não comprometendo muito o resultado final.

As 7 cidades celestiais é apresentada em 4 partes. Na primeira, a arte de David Aja e Roy Allan Martinez está fantástica e acho que casou muito bem os traços no decorrer das histórias. É competente tanto nos cenários quanto na ação, que é o principal da série. Mas os desenhos de Aja são bem melhores. O desenhista Scott Koblish participa da parte 2 sem muita expressão, pois tem o traço bem parecido com Martinez.

Orson Randall tem de novo espaço na série, com um roteiro bem interessante, mas a arte comprometida na parte em que Howard Chaykin desenha. Não gostei nem um pouco do seu traço, mas não chegou a comprometer a história pois Dan Brereton e Jelena Kevic com seus belos traços no estilo de pintura, seguraram bem a história.
Na parte 3 e 4 de As 7 cidades celestiais, outro desenhista que não me agradou foi Kano, apesar dos cenários muito bem desenhados. Não gostei de seu estilo pra desenhar personagens.

Vamos esperar pela conclusão então. Apesar de alguns bons momentos, essa revista deu uma esfriada em relação às minhas expectativas com o personagem. 

15 de ago. de 2009

Hellboy by Vini

Estou escrevendo uma história para o Hellboy.
A intenção é mandá-la depois de terminada para a Dark Horse e pro Mike Mignola, criador do personagem.
Já tinha escrito um argumento há uns 2 anos atrás, mas nunca consegui transcrever para um roteiro completo. A aventura se passaria entre o Brasil e o Uruguai e envolveria tribos indígenas e o navio nazista Almirante Graf Spee, naufragado em 1939 no rio da Prata.

Essa que estou fazendo agora, é baseada num sonho que tive e envolve coisas vindas de fora do planeta, pedras com símbolos e feitiçaria!

A parte difícil é escrever em inglês... mas vai dar tudo certo.

Acima um rascunho do Hellboy que fiz e melhorei no Photoshop!

Reblog this post [with Zemanta]

19 de jun. de 2009

Para ler: Retalhos

Fantástico é pouco pra descrever esse livro.
Realmente fiquei impressionado com "Retalhos" de Graig Thompson. Não só pela narrativa e pelos belíssimos desenhos, mas pela sinceridade da obra! O autor retrata sua própria história, da infância, onde tinha que dividir a cama com o irmão mais novo até o início da vida adulta, onde conta sobre seu primeiro relacionamento amoroso.
O cenário é uma gelada cidadezinha de Wisconsin assolada pela neve de um rigoroso inverno. Seu crescimento ainda é marcado pelo temor à Deus, transmitido por seus pais cristãos, seu colégio, o pastor de sua igreja e as trágicas passagens bíblicas que lê.
Tudo isso se interpõe contra seus desejos, como o de se expressar através do desenho, onde, segundo seus "educadores", era "coisa do demônio".
A história tem vários pontos interessantes como religião, espiritualidade, neuras pessoais, relacionamento familiar e social e o que me chamou bastante a atenção, como nisso tudo se encaixou uma história de amor sem ter ficado piegas, melosa ou qualquer outra coisa assim.

Apesar das quase 600 páginas, a HQ que é livro, não enjoa nem cansa.
Os desenhos em alguns quadros e numa vista rápida, pode te levar a pensar que são borrões a esmo e que não tem nada de espetacular, mas muito se engana quem pensar isso! Os desenhos são de um detalhismo à parte. Desde as referências, como as bandas dos anos 90 em posteres ou em camisetas, até no cenário em si, com construções, ambientes internos da casa e até reflexos nos carros. Tudo desenhado com rachuras e pinceladas de nanquim que conseguem te tirar emoções, pois traduzem toda a angústia ou sentimento dos personagens...
Logo na primeira parte, quando seu irmãozinho é trancado pelo pai num quartinho empoeirado e escuro, já dá uma noção do que esperar quanto a emoções no decorrer do livro.

Essa fase dos irmãos quando crianças é uma das coisas mais tocantes e belas do livro.
Os desenhos conseguiram passar bem seus dramas, principalmente os de Graig, que era mais um desses guris que sofrem de "booling" na escola (que nerd não sofreu na escola?) e que questiona seu papel de irmão mais velho e protetor. Essas coisas fazem com que você imediatamente crie um vínculo afetivo com esses personagens.
Talvez até por ter tido também problemas de relacionamento com meu irmão quando criança, sei lá...

Me identifiquei muito com a história, e o que me chamou mais a atenção na compra desse livro foi o tema dele. Pensei comigo: "O cara também é desenhista e questiona todo esse lance de religião e espiritualidade, e o que tudo isso influencia nos nossos relacionamentos externos. Taí uma coisa que pode me ajudar a entender esse mundo!".
A HQ é recomendadíssima pra esses adolescentes que estão nessa fase "Crepúsculo" da vida. Pra eles entenderem que existe sim maneiras mais inteligentes de se contar a história de um relacionamento amoroso.
Aliás, um fato curioso é que a personagem Raina, às vezes, é desenhada de uma maneira que parece se destacar de todo cenário da história. Pelo menos, foi essa a impressão que me passou.

Uma das HQs mais premiadas de todos os tempos, com três prêmios Harvey, dois Eisner (o Oscar dos quadrinhos) e outro da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos, “Retalhos” foi lançado lá fora em 2003, é um romance autobiográfico, que fala sobre seu crescimento num lar extremamente religioso, a descoberta do primeiro amor ainda na adolescência, sobre escolher caminhos a seguir, e como isso pode ser atrapalhado se confrontado com os ensinamentos da Bíblia. Ainda mais quando assombrado por visões religiosas.
Vale a pena também dar uma olhada no blog do autor que atualmente está fazendo "Habibi", uma obra em que ele vem trabalhando há cinco anos, e que fala sobre o mundo árabe. Thompson também já lançou um livro-HQ com registros de sete meses de andanças pela Europa e pelo norte da África em 2004, chamado "Carnet de Voyage".
É isso aí. Se fosse você não perdia a oportunidade em ler essa obra em quadrinhos!


"De que importa ganhar o mundo se eu perder a minha alma?" - Graig Thompson

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...