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11 de dez. de 2009

What if..? do Superman


clique na imagem para ampliar


Será que elas aguentariam o "jorro"? Fica a pergunta...

10 de dez. de 2009

Especial - Como Fazer? (Tiras) #3

Depois da entrevista com o Cadu, que você viu aqui, agora é a vez dele... o cara que fez todo fã do Homem-Aranha relembrar a boa fase do personagem através de tirinhas inteligentes, bem feitas e sensíveis.


Vitor Cafaggi, o criador de Puny Parker (ou o Pequeno Parker) o personagem que é uma homenagem ao herói da Marvel, mostra em seu trabalho um aspecto bem diferenciado no que se refere à tiras.
Ele também é o responsável por uma das grandes histórias que compõe o álbum que homenageia Mauricio de Sousa.


Conversei com o Vitor sobre seu trabalho e você confere agora o bate-papo que tive com esse grande artista!


1) Além de homenagear o Homem-Aranha, Puny tem um traço bem característico, lembrando muito as tiras dos Peanuts, feitas por Schultz e com um pouco da “alma” de Calvin de Bill Watterson, não é mesmo? Você se baseou nesses grandes mestres pra produzir as tiras? Como foi que o Pequeno Parker “nasceu” na sua cabeça?
Não sei exatamente de onde surgiu a ideia. Não houve um momento específico que eu me lembre como sendo o da criação dele.
Acho que o Puny é uma mistura de tudo o que eu gostava na minha infância nos anos 80. Eu lia as revistas do Homem-Aranha, as tirinhas do Calvin, assistia o desenho do Charlie Brown na TV, ia ao cinema para ver De volta para o Futuro, Os Goonies e os filmes do Stallone.. acho que a ideia não surgiu.. ela sempre esteve aqui comigo!



No final, acho que ficou bem forte essa influência do Schultz e do Bill Watterson nas tirinhas. Hoje, para mim, nosso jovem Peter Parker é um menino muito parecido com o Charlie Brown (tímido, azarado, apaixonado..) que vive uma vida parecida com a do Calvin (tem problemas com valentões na escola, tem uma imaginação muito fértil e figuras paternas bem marcantes).

2) Qual era a intenção no começo e o que você sente que mudou depois de mais de um ano de produção? 

Quando eu comecei a fazer as tiras semanais meu objetivo principal era me condicionar a desenhar sempre. Muitas vezes a gente tem ideias que não coloca no papel, ou ideias que começamos e nunca terminamos por falta de tempo ou mesmo por preguiça. Quando fiz a segunda tirinha do Puny decidi que faria isto semanalmente. Comecei colocando as tirinhas no Orkut e avisei aos amigos que ia fazer isso toda semana. Dessa forma eu meio que me obriguei a manter essa produção semanal de tirinhas.


Depois disso, outras pessoas conheceram a tirinha, eu fiz o blog e hoje, pouco mais de um ano depois, eu cumpri esse objetivo: desenho melhor do que desenhava há um ano, o Puny me trouxe outros projetos e a receptividade à tirinha foi ótima!




3) Você pensou num público-alvo para essas tiras? 
Quando eu comecei a fazer essas tirinhas, minha idéia era ‘tirinhas feitas por um fã do Aranha para os fãs do Aranha’. Esse sempre foi meu público-alvo, os antigos leitores do personagem.


4) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza antes de desenhar? 
Uma vez que eu já estou com a idéia da tira pronta na minha cabeça, eu faço apenas um rascunho antes de desenhar cada tira. Esse rascunho me ajuda a visualizar a tira antes de desenhar, eu vejo de quantos quadrinhos eu vou precisar e o que acontece em cada um deles. 




5) Você adiciona algumas “curiosidades” depois das tiras. Achei um recurso fantástico e bem diferente. Necessariamente, para o leitor, não é preciso recorrer a esse recurso para entender a piada, mas você acha que se a tira fosse publicada em jornal ou revista, o fato de não existir esse recurso, prejudicaria seu trabalho final?
Nunca pensei nisso.. na verdade, eu nunca pensei em publicar Puny Parker em jornais ou revistas. Como eu disse, o público-alvo são os fãs do Aranha, mas muita gente que conhece o personagem apenas pelos filmes tem lido as tirinhas (o que é bem legal). Eu escrevo as curiosidades principalmente pra essas pessoas e às vezes escrevo também sobre algum detalhe escondido que possa passar desapercebido ou mesmo sobre o processo de criação daquela tira.


6) Além de se utilizar da cultura pop e de ser um profundo conhecedor do herói da Marvel, vc se espelha em algum fato da sua vida pra criar situações na vida do seu personagem? Qual é a mensagem que vc espera passar nas tiras?

Sim, várias situações vividas pelo Puny são inspiradas em minha infância. O fato é que eu leio os quadrinhos do Aranha desde que tinha sete anos. Isso me acompanhou pela minha vida inteira. Posso dizer, sem exagero, que muito de quem eu sou, minha personalidade e dos meus valores eu aprendi nas histórias desse personagem. Tendo essa identificação, sinto que nas tirinhas do Puny Parker posso colocar experiências pessoais porque sei que vão se encaixar com o que o personagem representa.

Pra mim, os temas principais em Puny Parker são a história de amor (platônico) entre ele e a MJ e a vida dele em família. Muitas vezes eu até deixo a piada de lado em uma tira ou outra pra poder trabalhar melhor esses dois temas.





7) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras? 
Desenhe sempre, todos os dias. Pense sobre qual seria o tema das suas tiras, quem são os personagens que aparecem nela.. o que esses personagens querem, quais são suas características mais marcantes.. Uma vez que você criou a tira tenha sempre ela em mente.. desse jeito, a todo momento você vai ter idéias para novos episódios.


8) Conta como foi que você teve a idéia de fazer “produtos” como o cd com a “trilha sonora” das tiras e Cubeegrafts dos personagens.
Eu não queria deixar o blog parado durante as férias do Puny. E, como eu sempre gostei de pensar nas tiras como um seriado com temporadas definidas, pensei que seria legal termos alguns extras, como se fosse um DVD. Pensando nesse lado seriado do Puny, a trilha sonora era um extra indispensável. Os cubeecrats são pra aqueles que adoram colecionar bonecos (como eu) e os outros extras serviram mais como curiosidade mesmo.
Fiquei sabendo que o Wallpaper fez bastante sucesso e hoje, sempre que vão falar sobre o Puny em outros blogs eles usam essa imagem pra ilustrar o texto.


9) Em pouco tempo, seu personagem se tornou hit na internet, te premiando, na minha opinião, com um dos melhores presentes que é participar de uma comemoração como a de 50 anos do Mauricio de Sousa. Como você está se sentindo agora com tudo isso acontecendo? 
Como eu disse, a receptividade com as tirinhas tem sido ótima, muito além do esperado e eu fui convidado pra participar de outros projetos como o Pequenos Heróis e o MSP 50 graças ao Puny. Devo muito a ele. Esse convite para participar do MSP 50 foi o máximo!
A chance de criar, escrever e desenhar no meu estilo uma história do Chico Bento foi uma surpresa gigante. Digo sem exagero que foi o primeiro grande sonho da minha vida realizado.


10) Você gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc? 
Claro! Jabá time!
O MSP 50, o livro em comemoração aos 50 anos de carreira do Maurício de Sousa, sai agora em setembro (essa entrevista foi realizada em Agosto), em breve nas bancas teremos Pequenos Heróis e continuem acompanhando as aventuras semanais do Puny! Valeu, gente!





Não perca por nada desse mundo a hilária entrevista que fiz com o autor Benett, no dia 21 desse mês!
Será a última entrevista do ano! Então, esteja aqui!


Para saber mais acesse: 
http://punyparker.blogspot.com/ 

3 de dez. de 2009

Especial - Como Fazer? (Tiras) #2

Olá, mamonenses!
Nosso especial "Como Fazer? (Tiras)", onde mostra como os artistas preparam e executam suas tiras, está ficando cada vez melhor!
A bola da vez é o roteirista Cadu Simões, um dos fundadores do coletivo Quarto Mundo. Recentemente afastado para tocar seus projetos pessoais, como Nova Hélade, ele é mais conhecido pelas tiras do atrapalhado super-herói Homem-Grilo!
Abaixo você confere o bate-papo que tive com ele!

 
1) Acho que você é um dos únicos “roteiristas de tiras” por aí, não é, Cadu? Geralmente, o próprio desenhista monta suas tiras e tal. Como funcionou esse processo no inicio, como foi a procura por desenhistas para o trabalho?

Bem, há também o A. Moraes, que roteiriza as tiras da série Desvio, desenhada pelo Jean Okada. Não conheço mais nenhum outro roteirista que faz tiras além de nós dois, mas deve haver.
E na verdade eu nem curto fazer tiras. Exige uma boa habilidade de síntase que eu não possuo, por isso prefiro fazer HQs mais longas. Comecei a fazer as tiras do Homem-Grilo pois era uma forma mais rápida de atualizar o site do personagem enquanto o Ricardo não terminava de desenhar as HQs. As tiras também são mais práticas de serem lidas na Internet. Mas como eu disse, não é a minha praia. =)



2) O Homem-Grilo é um dos seus trabalhos mais conhecidos. Qual foi sua intenção na criação dele?

Sinceramente eu não tinha nenhuma intenção maior com o Homem-Grilo (e continuo não tendo). Nunca levei o Homem-Grilo realmente a sério, diferente de outras HQs minhas como Nova Hélade. Mas das minhas HQs, o Homem-Grilo é a mais fácil de escrever, o que acabou gerando uma maior produção, pois não requer muita pesquisa nem estudo anterior antes de começar a escrever os roteiros.
Basicamente uso o conhecimento que já possuo pra poder escrever. Isso já não dá pra fazer com Nova Hélade, por exemplo, em que cada capítulo dessa história requer meses de estudo e pesquisa sobre mitologia e literatura grega antes de ser escrito. Mas por ironia das ironias do destino, apesar de ser a HQ que eu menos me empenhei em fazer, o Homem-Grilo foi a que mais acabou dando certo. Vai entender! =)

3) Então vc provavelmente pensou num público-alvo para essas tiras?

Pensei. Mas com o tempo descobri que o público alvo que eu tinha pensado estava completamente errado. =)
No começo, pensei que o Homem-Grilo atinigiria um público alvo mais ou menos da minha idade, que lia muito gibi de super-heróis na adolecência, mas que depois de sagas do clones e várias crises infinitas, se cansou de ser tratado como idiota e acabou se enxendo desse tipo de quadrinhos. Mas então descobri que o público que estava lendo as HQs do Homem-Grilo não era esse que eu imaginava no começo. Esse público, aliás, ainda continua lendo e levando a sério as HQs de super-heróis, e por isso normalmente odeiam o Homem-Grilo, já que a última coisa que eu faço é levar os super-heróis a sério. =D
O público dele na verdade é uma galera muito mais nova, pertencente a geração digital, que nunca comprou um único gibi de super-herói na vida (ou mesmo qualquer tipo de gibi), mas lê muito quadrinhos na Internet, e só conhece os super-heróis como Homem-Aranha e Batman por causa dos filmes ou desenhos animados. Esse é o público que de fato lê e acompanha o Homem-Grilo. Então hoje em dia procuro criar os roteiros focando esse público, o que acabou gerando um fato curioso, pois acho que ele é o único super-herói lido por quem normalmente não lê, ou até mesmo nem gosta de quadrinhos de super-heróis. =)

4) Então, o Grilo nasceu pra quadrinhos e você acabou utilizando-o em tiras como propaganda desses quadrinhos, certo? Vc acha que o resultado no final foi satisfatório?

No começo sim, as tiras serviam como um chamariz pros quadrinhos. Mas com o tempo, conforme as tiras foram sendo publicadas, elas acabaram reforçando o conteúdo uma das outras, e funcionando por si mesmas. Aliás, muitos leitores me dizem que gostam mais das tiras dos que das HQs. Saber disso, pra mim, foi uma supresa, o que me deixou motivado pra quem sabe algum dia, imprimir um álbum reunindo apenas as tiras dos personagens.



5) Conta como é a produção dessas tiras? O processo de roteirização antes do desenho.

Bem, basicamente eu penso numa piada e vejo como posso melhor encaixar ela num espaço de três a quatro quadros, de forma que o timing dela, assim como o punchline, fiquem legais e criem o efeito cômico esperado. Aliás, saber dosar esse timing é algo que acho incrivelmente difícil numa tira, justamente pela minha falta de habilidade em sintetizar idéias.

6) Você se utiliza de várias ideias da cultura pop interligados a fatos de quadrinhos de super-herói, ou seja, você descobriu um mote e tanto para produção dessas tiras, pois tem muito assunto pra discutir... isso dá oportunidade também de expor suas ideias, opiniões e perspectiva das coisas. Essa era a intenção desde o começo?

Não, no começo minha intenção era apenas fazer uma simples paródia com os super-heróis e seus clichês. Com o tempo é que eu fui percebendo que dava pra fazer algo mais e ir além, usar outras referências culturais que nem mesmo são relacionads com quadrinhos ou super-heróis, e também adicionar uma crítica social e politica, como na sequência de tiras em que os vilões do Homem-Grilo explodem o congresso nacional e são considerados heróis por isso, invertendo completamente os valores morais, que em geral nas hqs de super-heróis costumam ser maniqueistas.


Homem-Grilo no magnífico traço de Samuel Bono.

7) O que vc pensa sobre a produção de tiras direto para internet, não depender de “sindicatos”, editores ou de espaço em jornais? Isso quantifica, mas na sua opinião, qualifica essas produções?

Eu acho maravilhoso. Eu mesmo nunca teria começado a fazer e publicar quadrinhos se não fosse a Internet. E na Internet descobri várias webcomics extraordinárias, melhores do que muitos quadrinhos impressos.
Afinal, uma boa HQ não é determinada pelo meio em que ela é publicada, mas sim pela habilidade de seu autor em contar uma boa história.
E essa habilidade você só ganha e desenvolve se você estiver produzindo e publicando constantemente. E não há lugar mais fácil e mais simples para publicar do que na Internet. =D


8) Vc acha que programas como Bitstrips, etc., agregam algo, ajudam essas  pessoas ou é só mais um desses programas “modinha” que logo cairão em desuso?

Como eu não desenho, sou uma pessoa que particularmente me divirto muito com esses programas. Mas eles, acredito, são mais pra se fazer tiras e quadrinhos de forma despretensiosa, como brincadeira. Se a pessoa prentende fazer quadrinhos de forma mais séria, aí esses programas já não rolam...

9) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras?

Bem, a dica mais importante é, diferente de mim, desenvolver uma boa habilidade de síntese. =) E se for fazer quadrinhos de humor, leia as artes poéticas que tratam da comédia, desde a antiguidade clássica até os dias de hoje (comece por Aristóteles, apesar dele tratar mais em sua poética sobre a tragédia do que sobre a comédia).
E claro, além de ler sobre, você tem quer  conhecer as obras dos bons comediantes, de Aristófanes na grécia antiga a trupe do Monty Phyton.
Ajuda também estudar como o humor funciona e é interpretado pelo nosso sistema linguistico. Ainda que, como os próprios linguistas alertam, ao estudar isso muitas piadas deixarão de ser engraçadas pra você (afinal, as piadas lhe serão explicadas, e todo mundo sabe que quando isso acontece, perde-se a graça), por outro lado ao saber como elas funcionam, isso o ajudará a criar e desenvolver piadas melhores ainda.

10) Vc gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc?

Bem, vou aproveitar então pra divulgar a segunda edição do Sideralman, que será lançada em Outubro, e possui roteiro meu e desenho do Will (que é o criador do personagem).
Nessa edição será publicada também uma HQ de um outro personagem do Will, o Demetrius Dante, que eu também escrevi e foi desenhada pelo Laudo. É isso. =)


Para saber mais, acesse:
Cadu Simões
http://cadusimoes.com
http://homemgrilo.com
http://novahelade.homemgrilo.com

23 de nov. de 2009

Tiras: Como Fazer?

Tentando atender a uma vasta legião de pessoas que se interessam em fazer tirinhas para internet, mas não sabem desenhar nem um palito parecido com o Dr. Pepper, bolei em fazer, há um tempo atrás, uma matéria sobre "Como Fazer Tiras".
Fiquei pesquisando durante três árduos meses na internet sobre o assunto.  A ideia inicial era apresentar alguns desses programas que já vem com os desenhos, balões e cenários, para que a pessoa faça sua própria tira. Cara, descobri que tem muito disso pipocando na internet! Alguns interessantes, bem montados, etc., mas outros nem tanto. Tem uns bem tosqueira e com n° absurdo de usuários que fazem só tosqueira. Desses programas, acho que os mais famosos são: o Stripgenerator e o Bitstrips.  
Uma tira especialmente feita no Bitstrip
Mas aí pensei que esse tipo de post num blog seria meio vazio e seria mais do mesmo, já que tem tantos posts sobre isso por aí, e eu, definitivamente, não queria fazer algo igual. Então, resolvi bolar algo e falar mesmo sobre o assunto. Como fazer tiras?
Primeiro vieram vários questionamentos:
- Como fazer isso?
- Como mostrar o passo-a-passo da feitura de uma tira?
- Como formatar isso num blog para que não fique enfadonho e desinteressante?
- Até quanto eu entendo sobre tiras pra passar isso?
- Vão me achar pretensioso por isso? 
- Vão notar que há meses eu não faço uma só tira? =)
 
Então, cheguei a uma conclusão óbvia: Não tem como fazer isso!
Fazer coisas baseadas em fatos reais é uma boa também.  
E por quê? Porque existem zilhões de maneiras de se fazer uma tira e cada um tem o seu jeito de fazer. 
Tem tiras pra todos os gostos!
Tem as de humor, como Hagar, que são as mais comuns hoje em dia, até as de ação, como Flash Gordon, que foram muito mais comuns na década de 30.   
Até nesses programas existem várias possibilidades de se contar uma história.
 
Então, por que não falar sobre tiras?
Quem sabe mostrando alguns exemplos e um pouco da história das tiras, não aguçe um pouco essa cabecinha sedenta por conhecimento quadrinístico, hein pequeno padawan?
Portanto, senta que lá vem a história!
Vamos começar definindo o que são tiras.
Tiras são basicamente: desenhos onde há a apresentação de personagens em situações diversas, dispostas normalmente em número inferior a quatro quadros e dispostas, em sua maioria, horizontalmente. São vários os gêneros explorados para essa arte, como ação, aventura, mistério, espionagem, cômicos, policial, drama, heróis e super-heróis. Podem ser publicadas diariamente, semanalmente ou qualquer outra periodicidade, dependendo do veículo da qual ela está sendo publicada, como por exemplo, revistas, jornais ou internet, que neste último caso, são normalmente denominadas (erroneamente a meu ver) de webcomics.
Mas isso, aposto que você já sabia. 
Vamos passar para a parte histórica da coisa, agora.
Seria bom a gente iniciar o papo pela sua provável origem, quando a primeira tira de The Yellow Kid (ou O Garoto Amarelo, nome mais conhecido de Mickey Dugan, personagem principal de Hogan´s Alley) que era desenhada por Richard Felton Outcault, foi publicada em preto e branco, no dia 17 de fevereiro de 1895, no jornal New York World.  
À partir de 5 de maio, deste mesmo ano, passou a ser apresentada a cores, depois que passou a receber apoio dos personagens secundários. Portanto, além de ser provavelmente a primeira tira em quadrinhos do mundo, foi uma das primeiras a serem impressas à cores. Gradualmente Yellow Kid foi se tornando parte das páginas de domingo e depois passou a aparecer várias vezes na semana.
Yellow Kid era uma criança calva, desdentada, com um largo sorriso no rosto e usava sempre uma camisola amarela. E foi nessa camisola que foram utilizadas, também pela primeira vez, o artifício de usar balões para mostrar as falas dos personagens. Na época a tira do jornal foi descrita como um panorama teatral da cidade, que mostravam as tensões raciais do novo mundo urbano, o ambiente consumista, representado por um grupo danoso de habitantes da Cidade de Nova Iorque, que gostava de lidar com coisas erradas. Ou seja, desde o começo, as tiras são um meio de comunicação para que o artista possa expressar não só a sua opinião, mas também os valores de sua época.
Tiras também são uma maneira de protesto!  
E no Brasil isso é mais do que verdade! É por isso que muitos “tirinistas” acabam fazendo também charges políticas. Além de pagar bem, é uma maneira de expor suas opiniões políticas da melhor maneira. Ou você já ouviu alguém, apesar do sorriso amarelo, discutir que uma charge foi contra o que ele acredita ou o que ele segue na política? É a melhor forma de “cala-a-boca” que eu conheço.
Leia aí minha charge e engula o que eu disse!
Mas isso depende da mídia da qual você se utiliza para publicar. 
Existem muitos casos de editores censores que torram o saco do pobre coitado artista!
Uma charge ou tira tem o lado "perigoso" e fantástico de influenciar uma opinião! 
Por falar em censura, um fator quase certo para que a tira ou charge seja limada é a religião. Dependendo do teor dela a confusão é imensa!
Portanto, entenda: o ser humano ainda não está preparado para discutir certos assuntos. Ou você pega leve ou aguenta as consequencias! 
Voltando ao lance histórico, as tirinhas de quadrinhos nos Estados Unidos são distribuídas por Syndicates. Eles funcionam nos mesmos moldes das grandes agências de notícias, só que ao invés de distribuir notícias, distribuem quadrinhos.
Aquelas letrinhas que vemos nas verticais das tirinhas americanas, nos jornais brasileiros, são os nomes dos syndicates (ou agências) das quais aquelas tirinhas fazem parte.
O King Features é um dos mais tradicionais. Ele detém os direitos de uma penca de personagens “velhos de guerra” como: Recruta Zero, Homem Aranha, Belina, Mandrake, Fantasma, Crock, Zoé e Zezé, Príncipe Valente, Popeye, Hagar, Os sobrinhos do Capitão, entre muitos outros.
Se você manja um pouco de inglês, vale a pena conhecer o site. Lá é que são disponibilizados para vendas em jornais, os vários quadrinhos, com uma breve sinopse e ao menos sete tirinhas de cada autor. Você ainda pode ver as biografias de seus cartunistas preferidos!  
Ainda no tópico História das Tiras e Syndicates, temos algumas curiosidades sobre o tema. É sabido que o homem começou a desenhar nas paredes das cavernas para contar o seu cotidiano. Se você reparar bem, essa “história desenhada” pode ser encarada como quadrinhos ou até tiras, dependendo do seu ponto de vista;
Quando os egípcios usaram a mesma idéia para passar seus costumes e ideologias nas paredes do Egito ou então, na era Cristã, quando a via-crúcis que foi contada através de uma seqüência de imagens, tivemos aí o nascimento dos quadrinhos, até que William R. Hearst, dono do Morning Jornal e Joseph Pullitzer, do New York World descobriram que a arte seqüencial aumenta a venda dos jornais.
À partir daí, todos os donos de jornais adoraram a idéia e começaram a querer os melhores artistas para seus jornais.
Muito antes da grande demanda pelas tiras diárias, os syndicates já faziam um trabalho de distribuição de noticias principalmente para jornais de pequeno porte que não tinham a estrutura necessária para manter seus próprios repórteres, desenhistas, etc. Essas agências passaram então a contratar desenhistas famosos e distribuir as cópias de suas tiras a vários jornais. Como o custo era baixo, uma vez que contratando o desenhista o syndicate tinha a propriedade de seu trabalho e autorização para fazer quantas cópias quisesse e vendê-las a quantos jornais fosse possível, não tardou até que eles dominassem o mercado editorial norte-americano e também o internacional.
Os artistas que não fossem filiados a algum syndicate dificilmente conseguiam trabalho, uma situação que acontecia não só nos Estados Unidos, mas também em países da Europa e também no Brasil. Houve exceções, mas de um modo geral os syndicates eram quem dominava o mercado das tirinhas diárias. Mais uma vez, pobres artistas!
Nos anos seguintes novos formatos de histórias foram criados. Dos heróis espaciais como Buck Rogers e Flash Gordon aos super heróis como Superman e Batman, a popularidade dos quadrinhos ultrapassava as fronteiras norte-americanas pelas mãos dos syndicates e chegava a Japão, Europa e também ao Brasil.
Vemos aí, que as tiras nasceram dos quadrinhos e o mesmo pode ter acontecido vice-versa. Não tem como falar de tiras sem falar de quadrinhos.
 Você pode usar persoangens consagrados pra fazer tiras. Sempre dá certo!  
Mas o post é sobre como fazer tiras. Acho que o caminho mais óbvio é você começar a fazer. Treino é tudo. Faça 5, 10 ou 20 por dia, dependendo da sua mente criativa, refaça metade e não fique na dúvida em joguar a outra metade fora se ficar ruim. Acontece. Bastante!
Cada um tem um jeito de produzir e você terá que achar o seu.  
De repente você descobre um bom personagem, um bom mote, uma piada legal e aí a merda tá feita! Você passa de ilustre desconhecido para famoso ilustrador em segundos. É lógico que talento conta muito nessas horas.  

Receita de bolo: Você escolhe um gênero, bola um personagem, bola um título pra ele, conta histórias sobre este personagem ou sobre uma situação...
Mas como contar isso em 3 quadros? Será que você consegue? Essa é a parte da receita que é uma incógnita. Até porque muito depende do público que está lendo.   
Isso é realmente difícil, principalmente se você escolheu tiras cômicas pra fazer. Na ação, você precisa fazer com que o leitor fique instigado a ler a próxima, esperar por ela. Assim como faz o tirinista Fabio Ciccone com o seu Magias e Barbaridades. As tiras são na verdade, quadrinhos apresentados em forma de tiras semanais.
Nas tiras de humor, você precisa manjar um pouco como funciona o punchline de uma piada. Se a piada não for forte o suficiente para tirar um sorriso que seja pelo menos para que a pessoa pense sobre o assunto.
O conselho que dou é que você faça várias antes de começar a publicar. Tanto pra treinar, quanto para ter tempo de estruturar melhor seu personagem. Eu sempre tive dificuldade de dar continuidade à tiras. Já fiz várias. E variadas. Mas nunca termino uma série.
 Agripino Meia e Sr. Felpudo foi uma das tentativas. Ainda tenho algumas guardadas.
Homem-Grilo que fiz em parceria com Cadu Simões. Algumas eram roteirizadas por mim.
 O Azar é seu! Sobreviveu apenas 5 tiras.
Havano era um projeto para esse ano, mas infelizmente não deu certo sua continuidade.  
Então, quem quer fazer tem que fazer o oposto do que eu faço. =)
Tem que se concentrar nisso e só. Como faço quadrinhos, ilustração e outras coisas, não me preocupo tanto com tiras. Na verdade, quero me dedicar a elas só a partir de Agosto do ano que vem. Mas as tiras são uma boa maneira de você ter visibilidade em seu trabalho, sem dúvida.
Muita gente se deu bem ultimamente com elas. Mas as que vão perdurar, sem dúvida, são as dos caras que tem talento pra contar uma história e faz todas elas na unha mesmo.  Sem essa de programinha para fazer tiras.
Aposto com qualquer um sobre isso.
Mas então esses programas não ajudam? Bom, no mínimo servem pra divertir.
Se você é uma pessoa que tem umas idéias boas para tiras, talvez se dê bem com algum desses programas (meu conselho é que você procure um ilustrador para fazer parceria), mas pegar, por exemplo, piadas da internet e jogá-las nesses programas, só pra fazer graça, só vai fazer com que você tenha notoriedade num pequeno grupo e só. Ninguém vai pagar por isso.
E o máximo que você consegue é que eles sejam distribuidos por e-mails através de Power Point.
Mas se é isso que você procura, bom... seja feliz!
A melhor maneira que achei de fazer a coisa certa pra passar pra vocês foi perguntando pra quem entende mais do que eu, qual é o caminho das pedras. Portanto, a partir da semana que vem vou começar uma série de entrevistas com alguns dos mais conhecidos tirinistas da internet e no final uma entrevista surpresa com um dos melhores tirinistas e chargistas da atualidade. Vocês vão conhecer a opinião dos caras que fazem!
Aguardem!  


Links interessantes:
Todas minhas tiras no Tiras Nacionais 
Peanuts (Snoopy)
Grump (Orlandeli)

13 de jun. de 2009

Uma Pequena Homenagem ao Pequeno Parker

Ultimamente a internet vem nos brindando com artistas fantásticos! E quando eles aparecem, nada mais justo do que propagar essas boas idéias pra mais e mais pessoas.
Acho que eu fui um dos primeiros a fazer matéria sobre esse personagem, conforme você pode conferir aqui, mas agora ele tomou uma dimensão bem maior na rede.
Se dependesse de editores ou editoras estávamos lascados!
Foram feitas várias matérias em canais muitíssimo mais badalados do que esse simples blog desse cara que vos escreve. Nada mais justo!
Puny Parker está se consagrando com um dos maiores sucessos na internet, em se tratando de tiras de humor.
Apesar do "padrinho" ser forte, o que conta aí é o talento em contar as histórias. Não há como tirar o mérito do tirinista Vitor Cafaggi, apesar de trabalhar com um personagem tão famoso, com uma imagem tão forte, como o Homem-Aranha, ele usa de sua memória de fã para lembrar de momentos chaves na vida do Teioso para moldar a vida do pequeno Parker nas tirinhas.
É exatamente isso que agrada nas tiras. Principalmente para os grandes fãs do Aranha, cansados de ler tanta porcaria ultimamente.

Ficamos aqui na torcida para que o cara tenha sucesso e a Marvel produza essas tiras em suas revistas!
Eu, humildemente, como fã confesso do Puny, bolei essa tirinha que estou postando.
Espero que vocês gostem. Todos os fãs do Aranha assim como eu e principalmente o Vitor, espero que entenda a homenagem!

- Tentei não fazer o uniforme do pequeno Parker tão igual ao do Homem Aranha, já que ele ainda não sabe que vai se tornar o herói escalador. Apenas uma idéia que provavelmente ficou no subconsciente dele;
- Note que a capa parece uma teia. A idéia foi fazer uma "homenagem" aquela teiazinha que ficava no sovaco do uniforme do Aranha;
- Ladrões de banco e meliantes em geral, fazem parte da história do personagem, é por isso que o "metralinha" taí;
- Ele se encontra com seu grande ídolo, o
Capitão América e com o Tocha Humana que participará muito de sua vida de herói. Os dois chegaram até a dividir o título de uma revista nos anos 70 (Marvel Team Up). O Aranha já tentou entrar para o Quarteto Fantástico já no primeiro número de sua própria revista, mas foi rejeitado por querer ganhar um alto salário deles.
- A musiquinha que ele cantarola é aquela mesmo: "
Spiderman, spiderman..";
- A famosa cena do beijo do primeiro filme.


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