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3 de jul. de 2010

Ilustra: Night Fury

Esse é um desenho que eu tinha feito logo após ter assistido o filme "Como Treinar seu Dragão", ou seja, faz tempo! Só agora consegui terminar.
Taí o resultado...


E praqueles que se interessam em aprender com tutoriais de desenho na internet, aqui tem um link para um "Como desenhar seu Dragão". Bom divertimento!

29 de dez. de 2009

Tick te ensina a desenhar!


Tradução:

Tick - Ei, garotada! É hora de aprender a desenhar!
É isso aí! Com esse método "passo-a-passo", fácil de acompanhar, garantimos que você desenhará sua própria e única versão do Tick em minutos! Então, aponte bem seu lápis e 'bora tentar!
Passo 1 - Cuidadosamente, desenhe uma figura oval no centro do papel.
Passo 2 - Agora, divida a figura ovalada desenhando uma linha que a atravesse de ponta a ponta.
Passo 3 - Agora desenhe o Tick segurando a forma ovalada com a linha atravessada.
Viu como é fácil?

Na próxima aula: Aprenda a desenhar como Albrecht Dürer.




Colorido por Vini

21 de dez. de 2009

Especial - Como Fazer? (Tiras) #4

Depois da matéria especial de "Como Fazer Tiras", rolou algumas entrevistas especiais com os caras que entendem do traçado... Hoje, veremos a parte final da série de entrevistas com grandes tirinistas da internet e jornais.
E o último convidado é mais que especial!





Criador de várias tiras bacanudas como Salmonelas, Melão Colia e o Cachorro e de um humor negro dos mais refinados, o tirinista, ilustrador e chargista paranaense de 35 anos, Alberto Benett, é um dos grandes nomes da nova geração de desenhistas que vem mostrando fantásticas tiras e charges, tanto em jornais e revistas como também na internet.

Ele inclusive já tinha se manifestado também quanto aos programas que fazem tiras aqui.

Conversei com o cara sobre como é que se faz!



1) Você começou produzindo tiras pra internet, não? Conta como foi esse começo.
Benett - Não. Comecei produzindo tiras para jornal impresso. Dois ou três meses antes de me formar em jornalismo, fui contratado por um jornal. Pura sorte. Foi coisa de conjunção de planetas, só pode. Mas antes disso, quando tinha 20 anos, já havia descolado um trampo de chargista, mas acabei demitido por heresia.
2) Como foi a transição para as charges? Foi um pedido de trabalho pago ou você mesmo é quem decidiu se concentrar mais nisso?
Benett - Não houve transição, as duas coisas correm simultâneas. O fato é que sempre gostei de fazer charges e tiras. E acabei desenvolvendo um desenho que basicamente me limita a esses dois meios. Não consigo desenhar uma hq ou fazer caricaturas ou ilustrações elaboradas. Estou condenado a ser chargista/tirista, para ser sincero.

3) O que te inspira pra criar suas tiras, você é desses desenhistas como eu que vivem prestando atenção a tudo e todos? E o que você espera passar pras pessoas com elas?
Benett - Espero que as pessoas divirtam-se com elas e, se possível, tentem identificar ali alguma visão de mundo anti-conformista e anti-moralista. É isso o que me inspira, essas pequenas possibilidades. Agora, sobre o lance de observar as pessoas, não faço muito isso para preservar meu estômago de uma possível hérnia.


 4) O que você curte mais fazer, tiras, ilustrações ou charges?
Benett - Acho que o que mais curto, do fundo do coração, é escrever textos de humor. Meu desenho me deixa de mau humor, invariavelmente, porque nunca consigo desenhar as coisas da maneira que imagino.
5) Qual delas é mais rentável para você no fim do mês? As charges políticas? =)
Benett - Bem, na verdade não trabalho com frilas, eu tenho contrato com um jornal. Então, produzo charges e tiras e eles me pagam um salário. Agora, desconfio que esperar ganhar dinheiro no Brasil somente com tiras é algo arriscado. Isso vale para ilustradores, também. E para quem tem apenas curso de datilografia. 


6) Quem são os seus mestres? Quem são os caras que te inspiram na literatura, nas artes, enfim, na hora que você analisa todas as coisas que você vem fazendo nas tiras e charges?
Benett - Por incrível que pareça, Jack Kirby me diverte muito. Não gosto de histórias de herois, mas o desenho dele é fascinante.
Tenho lido livros de Steve Pinker e eles me inspiram muito, apesar de não ter nada a ver com o que faço. Estou escrevendo uma fotonovela, então tenho visto filmes policiais dos anos 50 pra baixo, aqueles com o James Cagney e tal, e isso tem sido fantástico.
Essas coisas me empolgam de verdade. Chester Himes me dá uma vontade imensa de morar no Bronx, assim como ouvir The Meters durante o dia todo enche minha alma de vitalidade.

E a vantagem dos dias de hoje é que tudo o que existe de produção cultural está a um clique. Quando eu era adolescente e babava para ver filmes do Lon Chaney Jr., era quase impossível descolar essas coisas. Ouvir um vinil do Lonnie Smith então, jamais. Eram coisas que cresciam com a nossa imaginação e, quando tínhamos acesso a isso, era fantástico, uma pequena glória saboreada lentamente. 
Lembro que aos 16, 17 anos queria muito ver os primeiros filmes dos Irmãos Marx, mas eles não saíam em vídeo e, quando saíam, as locadoras da minha cidade não compravam. Você tinha que descolar com algum especialista que fazia uma cópia em VHS para você pelos olhos da cara. Quando alguém me diz "aqueles é que eram os bons tempos", tenho vontade de socar o nariz.
 
 7) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza ou esboça direto no papel antes da finalização? 
Benett - Não tenho uma maneira sistemática para fazer isso. Muitas vezes penso nas tiras durante minhas intermináveis horas de insônia e desenho tudo no dia seguinte. Outras vezes simplesmente sento com o papel em branco na minha frente e tento espremer uma ideia em 5 ou 10 minutos. Em outros tempos eu anotava tudo em folhas e jogava num canto, aí ia lá e escolhia as melhores e desenhava. E hoje tenho certeza que comecei a desenhar quadrinhos porque queria fazer as piadas que via no cinema, e a única maneira era através das tiras. Claro, havia toda a influência de Schulz e Johnny Hart, Angeli e Adão...mas a ideia mesmo eram as tiras que eu lia do Woody Allen, feitas pelo Stuart Hample.

Mas hoje anda difícil eu fazer tiras novas e ispiradas, por uma questão de falta de tempo, mesmo. Talvez falta de interesse, realmente. Acho que estou perdendo um pouco o tesão por isso.

8) Você acha que a internet tem sido um bom canal pra quem tá começando? Você já publicava tiras antes da internet, mas foi através dela que você ficou mais conhecido não?
Benett - Não sei se fiquei conhecido, para ser sincero. Bem, a internet é o caminho para quem está começåndo só que, por outro lado, é um tanto arriscado expor seu trabalho se ele ainda não está legal, sabe? Há uma certa impaciência para se publicar e isso pode ser letal para o cara, que fica esperando elogios e convites de emprego e a coisa não rola e ele acaba se frustrando. Ou pode acontecer de ele nunca ser uma novidade, nunca ser uma surpresa, por estar aí desde sempre. O ideal é aguardar um tempo até ter um trabalho legal e depois jogar na rede. O fato é que, de uma maneira ou de outra, o sujeito vai ter que ralar muito. 

 9) Você está a mais de 10 anos no ramo de desenhos, né? Você consegue analisar esse tempo em que você está batalhando, você consegue definir em que ponto daquilo que você projetou pra sua carreira você está vivendo?
Benett - Estou há exatamente 10 anos e posso dizer que tenho sorte de ainda estar nessa. Sempre sobrevivi com a força das ideias, porque se dependesse do desenho, acho que hoje estaria vendendo escovas de porta em porta.
Acho que fui muito mais longe do que havia projetado, sinceramente. Pra você ver como não projetei nada muito ambicioso. Quando comecei isso aos 12 anos, eu queria mesmo era sair da minha cidade, do meu bairro, da minha casa, do meu quarto, da minha cama e, se possível, de minha própria carcaça.

10) Me parece que hoje um caminho pra se ter visibilidade de seu trabalho é produzindo tiras. Já vi vários artistas que acabam indo pra esse lado, com a intenção de ter esse reconhecimento pra depois tentar executar seus outros trabalhos. E por outro lado, tem aqueles que só interessam por produzir tiras.
O mercado hoje em dia pede muito mais daqueles que querem trampar com isso, certo? É bom que o cara saiba no mínimo o que tá rolando no planeta (no caso das charges) ou pelo menos que faça boas ilustrações, não é? 
Benett - O nível está muito alto hoje em dia, em qualquer dessas áreas. Portanto, quanto mais informação e, principalmente, formação você tiver, melhor. Conhecimento nunca é demais, você pode desprezá-los depois, mas é importante ter técnica e conteúdo. Vai te dar mais possibilidades para o dia em que você enjoar desse negócio de cartum. Ah e, se possível, tenha alguma herança em vista.
11) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras então?
Benett - Seja autêntico e não espere muito dos jornais. Não glamourize a profissão. Você vai ter de lidar com editores que vão censurar suas charges, vão querer alterar o texto de seu trabalho, vai aguentar muita encheção de saco até ter a autonomia de um Angeli ou Ziraldo. Vejam, Carl Barks, no alto de seus 55 anos, tinha que alterar histórias porque os editoras não gostavam do que liam, acredita nisso?

12) Você já viu esses programas que ajudam quem não sabe desenhar a fazer tiras, né? O que você acha disso? 
Benett - Dá certo por alguns minutos, mas se tornam rapidamente quadrinhos enfadonhos. Não surpreende. É como Cyanide & Hapiness. Houve tanta proliferação do mesmo desenho, que cansou.
A mediocridade sempre vai acabar predominando, ela deixou o que era uma ideia divertida, para virar algo que é um auto-plágio. Tornou-se previsível. E tornar-se previsível é o primeiro sintoma da decadência.
13) E quanto aos salões de humor, concursos, etc. Você acha que vale a pena tentar algo por esse caminho?
Vale, mas vencer um salão de humor não vai mudar muito sua vida. Agora, tem o lance da grana que é essencial.
14) Você gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc.?
Ahn...cuidado com sua postura na prancheta, ou você irá ficar parecendo com o quasímodo quando estiver mais velho.



Bom, é isso aí, galera!
Obrigado a todos os artistas que participaram e obrigado a você por ter dispensado um tempinho pra ler essas matérias. Dá um trabalho mais ou menos pra fazer! Mas no final vale a pena!
Ano que vem tem mais especiais por aqui!


Para saber mais de Benett, acesse:

Para ver as outras entrevistas:



10 de dez. de 2009

Especial - Como Fazer? (Tiras) #3

Depois da entrevista com o Cadu, que você viu aqui, agora é a vez dele... o cara que fez todo fã do Homem-Aranha relembrar a boa fase do personagem através de tirinhas inteligentes, bem feitas e sensíveis.


Vitor Cafaggi, o criador de Puny Parker (ou o Pequeno Parker) o personagem que é uma homenagem ao herói da Marvel, mostra em seu trabalho um aspecto bem diferenciado no que se refere à tiras.
Ele também é o responsável por uma das grandes histórias que compõe o álbum que homenageia Mauricio de Sousa.


Conversei com o Vitor sobre seu trabalho e você confere agora o bate-papo que tive com esse grande artista!


1) Além de homenagear o Homem-Aranha, Puny tem um traço bem característico, lembrando muito as tiras dos Peanuts, feitas por Schultz e com um pouco da “alma” de Calvin de Bill Watterson, não é mesmo? Você se baseou nesses grandes mestres pra produzir as tiras? Como foi que o Pequeno Parker “nasceu” na sua cabeça?
Não sei exatamente de onde surgiu a ideia. Não houve um momento específico que eu me lembre como sendo o da criação dele.
Acho que o Puny é uma mistura de tudo o que eu gostava na minha infância nos anos 80. Eu lia as revistas do Homem-Aranha, as tirinhas do Calvin, assistia o desenho do Charlie Brown na TV, ia ao cinema para ver De volta para o Futuro, Os Goonies e os filmes do Stallone.. acho que a ideia não surgiu.. ela sempre esteve aqui comigo!



No final, acho que ficou bem forte essa influência do Schultz e do Bill Watterson nas tirinhas. Hoje, para mim, nosso jovem Peter Parker é um menino muito parecido com o Charlie Brown (tímido, azarado, apaixonado..) que vive uma vida parecida com a do Calvin (tem problemas com valentões na escola, tem uma imaginação muito fértil e figuras paternas bem marcantes).

2) Qual era a intenção no começo e o que você sente que mudou depois de mais de um ano de produção? 

Quando eu comecei a fazer as tiras semanais meu objetivo principal era me condicionar a desenhar sempre. Muitas vezes a gente tem ideias que não coloca no papel, ou ideias que começamos e nunca terminamos por falta de tempo ou mesmo por preguiça. Quando fiz a segunda tirinha do Puny decidi que faria isto semanalmente. Comecei colocando as tirinhas no Orkut e avisei aos amigos que ia fazer isso toda semana. Dessa forma eu meio que me obriguei a manter essa produção semanal de tirinhas.


Depois disso, outras pessoas conheceram a tirinha, eu fiz o blog e hoje, pouco mais de um ano depois, eu cumpri esse objetivo: desenho melhor do que desenhava há um ano, o Puny me trouxe outros projetos e a receptividade à tirinha foi ótima!




3) Você pensou num público-alvo para essas tiras? 
Quando eu comecei a fazer essas tirinhas, minha idéia era ‘tirinhas feitas por um fã do Aranha para os fãs do Aranha’. Esse sempre foi meu público-alvo, os antigos leitores do personagem.


4) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza antes de desenhar? 
Uma vez que eu já estou com a idéia da tira pronta na minha cabeça, eu faço apenas um rascunho antes de desenhar cada tira. Esse rascunho me ajuda a visualizar a tira antes de desenhar, eu vejo de quantos quadrinhos eu vou precisar e o que acontece em cada um deles. 




5) Você adiciona algumas “curiosidades” depois das tiras. Achei um recurso fantástico e bem diferente. Necessariamente, para o leitor, não é preciso recorrer a esse recurso para entender a piada, mas você acha que se a tira fosse publicada em jornal ou revista, o fato de não existir esse recurso, prejudicaria seu trabalho final?
Nunca pensei nisso.. na verdade, eu nunca pensei em publicar Puny Parker em jornais ou revistas. Como eu disse, o público-alvo são os fãs do Aranha, mas muita gente que conhece o personagem apenas pelos filmes tem lido as tirinhas (o que é bem legal). Eu escrevo as curiosidades principalmente pra essas pessoas e às vezes escrevo também sobre algum detalhe escondido que possa passar desapercebido ou mesmo sobre o processo de criação daquela tira.


6) Além de se utilizar da cultura pop e de ser um profundo conhecedor do herói da Marvel, vc se espelha em algum fato da sua vida pra criar situações na vida do seu personagem? Qual é a mensagem que vc espera passar nas tiras?

Sim, várias situações vividas pelo Puny são inspiradas em minha infância. O fato é que eu leio os quadrinhos do Aranha desde que tinha sete anos. Isso me acompanhou pela minha vida inteira. Posso dizer, sem exagero, que muito de quem eu sou, minha personalidade e dos meus valores eu aprendi nas histórias desse personagem. Tendo essa identificação, sinto que nas tirinhas do Puny Parker posso colocar experiências pessoais porque sei que vão se encaixar com o que o personagem representa.

Pra mim, os temas principais em Puny Parker são a história de amor (platônico) entre ele e a MJ e a vida dele em família. Muitas vezes eu até deixo a piada de lado em uma tira ou outra pra poder trabalhar melhor esses dois temas.





7) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras? 
Desenhe sempre, todos os dias. Pense sobre qual seria o tema das suas tiras, quem são os personagens que aparecem nela.. o que esses personagens querem, quais são suas características mais marcantes.. Uma vez que você criou a tira tenha sempre ela em mente.. desse jeito, a todo momento você vai ter idéias para novos episódios.


8) Conta como foi que você teve a idéia de fazer “produtos” como o cd com a “trilha sonora” das tiras e Cubeegrafts dos personagens.
Eu não queria deixar o blog parado durante as férias do Puny. E, como eu sempre gostei de pensar nas tiras como um seriado com temporadas definidas, pensei que seria legal termos alguns extras, como se fosse um DVD. Pensando nesse lado seriado do Puny, a trilha sonora era um extra indispensável. Os cubeecrats são pra aqueles que adoram colecionar bonecos (como eu) e os outros extras serviram mais como curiosidade mesmo.
Fiquei sabendo que o Wallpaper fez bastante sucesso e hoje, sempre que vão falar sobre o Puny em outros blogs eles usam essa imagem pra ilustrar o texto.


9) Em pouco tempo, seu personagem se tornou hit na internet, te premiando, na minha opinião, com um dos melhores presentes que é participar de uma comemoração como a de 50 anos do Mauricio de Sousa. Como você está se sentindo agora com tudo isso acontecendo? 
Como eu disse, a receptividade com as tirinhas tem sido ótima, muito além do esperado e eu fui convidado pra participar de outros projetos como o Pequenos Heróis e o MSP 50 graças ao Puny. Devo muito a ele. Esse convite para participar do MSP 50 foi o máximo!
A chance de criar, escrever e desenhar no meu estilo uma história do Chico Bento foi uma surpresa gigante. Digo sem exagero que foi o primeiro grande sonho da minha vida realizado.


10) Você gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc? 
Claro! Jabá time!
O MSP 50, o livro em comemoração aos 50 anos de carreira do Maurício de Sousa, sai agora em setembro (essa entrevista foi realizada em Agosto), em breve nas bancas teremos Pequenos Heróis e continuem acompanhando as aventuras semanais do Puny! Valeu, gente!





Não perca por nada desse mundo a hilária entrevista que fiz com o autor Benett, no dia 21 desse mês!
Será a última entrevista do ano! Então, esteja aqui!


Para saber mais acesse: 
http://punyparker.blogspot.com/ 

3 de dez. de 2009

Especial - Como Fazer? (Tiras) #2

Olá, mamonenses!
Nosso especial "Como Fazer? (Tiras)", onde mostra como os artistas preparam e executam suas tiras, está ficando cada vez melhor!
A bola da vez é o roteirista Cadu Simões, um dos fundadores do coletivo Quarto Mundo. Recentemente afastado para tocar seus projetos pessoais, como Nova Hélade, ele é mais conhecido pelas tiras do atrapalhado super-herói Homem-Grilo!
Abaixo você confere o bate-papo que tive com ele!

 
1) Acho que você é um dos únicos “roteiristas de tiras” por aí, não é, Cadu? Geralmente, o próprio desenhista monta suas tiras e tal. Como funcionou esse processo no inicio, como foi a procura por desenhistas para o trabalho?

Bem, há também o A. Moraes, que roteiriza as tiras da série Desvio, desenhada pelo Jean Okada. Não conheço mais nenhum outro roteirista que faz tiras além de nós dois, mas deve haver.
E na verdade eu nem curto fazer tiras. Exige uma boa habilidade de síntase que eu não possuo, por isso prefiro fazer HQs mais longas. Comecei a fazer as tiras do Homem-Grilo pois era uma forma mais rápida de atualizar o site do personagem enquanto o Ricardo não terminava de desenhar as HQs. As tiras também são mais práticas de serem lidas na Internet. Mas como eu disse, não é a minha praia. =)



2) O Homem-Grilo é um dos seus trabalhos mais conhecidos. Qual foi sua intenção na criação dele?

Sinceramente eu não tinha nenhuma intenção maior com o Homem-Grilo (e continuo não tendo). Nunca levei o Homem-Grilo realmente a sério, diferente de outras HQs minhas como Nova Hélade. Mas das minhas HQs, o Homem-Grilo é a mais fácil de escrever, o que acabou gerando uma maior produção, pois não requer muita pesquisa nem estudo anterior antes de começar a escrever os roteiros.
Basicamente uso o conhecimento que já possuo pra poder escrever. Isso já não dá pra fazer com Nova Hélade, por exemplo, em que cada capítulo dessa história requer meses de estudo e pesquisa sobre mitologia e literatura grega antes de ser escrito. Mas por ironia das ironias do destino, apesar de ser a HQ que eu menos me empenhei em fazer, o Homem-Grilo foi a que mais acabou dando certo. Vai entender! =)

3) Então vc provavelmente pensou num público-alvo para essas tiras?

Pensei. Mas com o tempo descobri que o público alvo que eu tinha pensado estava completamente errado. =)
No começo, pensei que o Homem-Grilo atinigiria um público alvo mais ou menos da minha idade, que lia muito gibi de super-heróis na adolecência, mas que depois de sagas do clones e várias crises infinitas, se cansou de ser tratado como idiota e acabou se enxendo desse tipo de quadrinhos. Mas então descobri que o público que estava lendo as HQs do Homem-Grilo não era esse que eu imaginava no começo. Esse público, aliás, ainda continua lendo e levando a sério as HQs de super-heróis, e por isso normalmente odeiam o Homem-Grilo, já que a última coisa que eu faço é levar os super-heróis a sério. =D
O público dele na verdade é uma galera muito mais nova, pertencente a geração digital, que nunca comprou um único gibi de super-herói na vida (ou mesmo qualquer tipo de gibi), mas lê muito quadrinhos na Internet, e só conhece os super-heróis como Homem-Aranha e Batman por causa dos filmes ou desenhos animados. Esse é o público que de fato lê e acompanha o Homem-Grilo. Então hoje em dia procuro criar os roteiros focando esse público, o que acabou gerando um fato curioso, pois acho que ele é o único super-herói lido por quem normalmente não lê, ou até mesmo nem gosta de quadrinhos de super-heróis. =)

4) Então, o Grilo nasceu pra quadrinhos e você acabou utilizando-o em tiras como propaganda desses quadrinhos, certo? Vc acha que o resultado no final foi satisfatório?

No começo sim, as tiras serviam como um chamariz pros quadrinhos. Mas com o tempo, conforme as tiras foram sendo publicadas, elas acabaram reforçando o conteúdo uma das outras, e funcionando por si mesmas. Aliás, muitos leitores me dizem que gostam mais das tiras dos que das HQs. Saber disso, pra mim, foi uma supresa, o que me deixou motivado pra quem sabe algum dia, imprimir um álbum reunindo apenas as tiras dos personagens.



5) Conta como é a produção dessas tiras? O processo de roteirização antes do desenho.

Bem, basicamente eu penso numa piada e vejo como posso melhor encaixar ela num espaço de três a quatro quadros, de forma que o timing dela, assim como o punchline, fiquem legais e criem o efeito cômico esperado. Aliás, saber dosar esse timing é algo que acho incrivelmente difícil numa tira, justamente pela minha falta de habilidade em sintetizar idéias.

6) Você se utiliza de várias ideias da cultura pop interligados a fatos de quadrinhos de super-herói, ou seja, você descobriu um mote e tanto para produção dessas tiras, pois tem muito assunto pra discutir... isso dá oportunidade também de expor suas ideias, opiniões e perspectiva das coisas. Essa era a intenção desde o começo?

Não, no começo minha intenção era apenas fazer uma simples paródia com os super-heróis e seus clichês. Com o tempo é que eu fui percebendo que dava pra fazer algo mais e ir além, usar outras referências culturais que nem mesmo são relacionads com quadrinhos ou super-heróis, e também adicionar uma crítica social e politica, como na sequência de tiras em que os vilões do Homem-Grilo explodem o congresso nacional e são considerados heróis por isso, invertendo completamente os valores morais, que em geral nas hqs de super-heróis costumam ser maniqueistas.


Homem-Grilo no magnífico traço de Samuel Bono.

7) O que vc pensa sobre a produção de tiras direto para internet, não depender de “sindicatos”, editores ou de espaço em jornais? Isso quantifica, mas na sua opinião, qualifica essas produções?

Eu acho maravilhoso. Eu mesmo nunca teria começado a fazer e publicar quadrinhos se não fosse a Internet. E na Internet descobri várias webcomics extraordinárias, melhores do que muitos quadrinhos impressos.
Afinal, uma boa HQ não é determinada pelo meio em que ela é publicada, mas sim pela habilidade de seu autor em contar uma boa história.
E essa habilidade você só ganha e desenvolve se você estiver produzindo e publicando constantemente. E não há lugar mais fácil e mais simples para publicar do que na Internet. =D


8) Vc acha que programas como Bitstrips, etc., agregam algo, ajudam essas  pessoas ou é só mais um desses programas “modinha” que logo cairão em desuso?

Como eu não desenho, sou uma pessoa que particularmente me divirto muito com esses programas. Mas eles, acredito, são mais pra se fazer tiras e quadrinhos de forma despretensiosa, como brincadeira. Se a pessoa prentende fazer quadrinhos de forma mais séria, aí esses programas já não rolam...

9) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras?

Bem, a dica mais importante é, diferente de mim, desenvolver uma boa habilidade de síntese. =) E se for fazer quadrinhos de humor, leia as artes poéticas que tratam da comédia, desde a antiguidade clássica até os dias de hoje (comece por Aristóteles, apesar dele tratar mais em sua poética sobre a tragédia do que sobre a comédia).
E claro, além de ler sobre, você tem quer  conhecer as obras dos bons comediantes, de Aristófanes na grécia antiga a trupe do Monty Phyton.
Ajuda também estudar como o humor funciona e é interpretado pelo nosso sistema linguistico. Ainda que, como os próprios linguistas alertam, ao estudar isso muitas piadas deixarão de ser engraçadas pra você (afinal, as piadas lhe serão explicadas, e todo mundo sabe que quando isso acontece, perde-se a graça), por outro lado ao saber como elas funcionam, isso o ajudará a criar e desenvolver piadas melhores ainda.

10) Vc gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc?

Bem, vou aproveitar então pra divulgar a segunda edição do Sideralman, que será lançada em Outubro, e possui roteiro meu e desenho do Will (que é o criador do personagem).
Nessa edição será publicada também uma HQ de um outro personagem do Will, o Demetrius Dante, que eu também escrevi e foi desenhada pelo Laudo. É isso. =)


Para saber mais, acesse:
Cadu Simões
http://cadusimoes.com
http://homemgrilo.com
http://novahelade.homemgrilo.com

26 de nov. de 2009

Especial - Como Fazer? #1


Pergunte à: Estevão Ribeiro


Criador do personagem Tristão e autor do álbum "Pequenos Heróis", que é uma homenagem aos super-heróis da DC Comics, o escritor capixaba agora “ataca” de cartunista em seu mais recente sucesso, Os Passarinhos, e produz tiras bem legais que contam o cotidiano de dois pássaros alaprados!

Conversamos com ele pra saber como é seu processo para fazer as tiras e outras cositas más! Se você achou que a entrevista foi legal, não deixe de comentar ou passar para seus amigos pelo Twitter.


1) De onde veio a idéia de fazer os Pássaros? Foi por acaso baseado no Twitter?

Estevão: Os Passarinhos foram criados enquanto eu esperava para uma reunião de roteiro num estúdio de animação. Enquanto eu esperava os produtores, rabisquei num papel o Hector, o personagem menor, tentando fazer um passarinho mais simples possível. Depois, vi se conseguiria fazer outro personagem para acompanhá-lo numa piada, só consegui pensar numa arara, num formato “reconhecível” para as pessoas. O design do Twitter influenciou pela sua simplicidade, pois anteriormente eu tinha produzido um espaço no Twitpic um passarinho do Twitter desenhando, então sim, os passarinhos tem como exemplo a simplicidade do design do Twitter.

2) Vc é muito conhecido como roteirista. Como é que foi assumir o controle da caneta nas tiras?

Estevão: Eu não diria “muito” conhecido, mas eu prefiro trabalhar com textos. Esse trabalho é praticamente um exercício iniciado em “Enquanto Ele Estava Morto...”, o meu primeiro romance, primeiro trabalho autoral que eu ilustro. Geralmente eu trabalho em parceria, mas o livro, por falar de mim e da minha família, achei que as ilustrações deviam ser de minha autoria. Com Os Passarinhos também penso assim. Só pra registrar: trabalhei na Editoria de Arte do jornal A Tribuna (ES) por quase cinco anos, então... mas não gosto do meu traço. Com Hector e Afonso acho que casou certo.

3) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza antes de desenhar?

Estevão: Sim, geralmente roteirizo as tiras. Atualmente estou com uma frente de dez tiras roteirizadas em relação ao desenho. Quando tenho uma idéia eu a coloco na “fila de espera” e vou ilustrando de acordo com a disponibilidade de tempo. Geralmente ilustro duas por dia, além de fazer vez ou outra uma ilustração avulsa, para acostumar com o traço do personagem. O roteiro é simples, como o cenário quase não muda, eu descrevo quem estará no primeiro quadro, o tipo de enquadramento e a fala. Faço isso nos outros quadros, que geralmente variam entre um a cinco, sendo mais comum tiras de quatro quadros.

Exemplo: Tira 013
 
Hector apresenta a mala para Afonso.
Hector: Finalmente achei a mala de detetive do meu pai!
Afonso: Ah, O “mestre dos difarces”?
Hector metendo a cara na mala. Afonso observa.
Hector: Você vai tirar essa ponta de sorriso do rosto quando me vir em ação!
Hector de óculos, nariz, bigode e chapéu. Afonso observa.
Hector: Então, o que me diz?
Afonso com sorriso sacana para Hector.
Afonso: Sei lá, me deu vontade de comer batatas...


Cada ação (ou descrição) é um quadro, para evitar uma formalização excessiva. Como as descrições são simples, é perda de tempo escrever Quadro 1, Quadro 2, 3... talvez apenas um número na frente seja o bastante, mas eu me entendo bem assim.

4) Vc pensou num público-alvo para essas tiras?

Pensei em escrever algo “acessível” para a maioria das pessoas que gostam das tiras do Garfield, Snoopy, Dilbert, Mafalda... É o que chamamos de “tira universal”. Tentar fazer uma tira que não seja datada, porque se você a coloca fora do contexto, fora da época em que foi concebida, o sentido pode se perder.
Acredito que a Mafalda seja uma das exceções. Quino conseguiu fazer tiras explicando a situação do mundo e da Argentina de uma forma que, ainda hoje, você consegue ler e achar graça, mesmo se você não entender o contexto. Às vezes perde-se a crítica, mas conserva-se o humor.

5) Qual é a mensagem que vc espera passar nas tiras?

A tira é um convite à reflexão da amizade e do comportamento. Tento fazer com que pássaros vivam situações humanas e, dependendo da situação, os faço responder como simples pássaros e às vezes os faço responder como complexos seres humanos. Mesmo assim, é um convite bem-humorado aos dissabores da vida.

6) Por acaso existe a possibilidade dos pássaros serem auto-biograficos? Vc se inspira no seu cotidiano para criar algumas situações?

Sim, muito até. Tento não ser tão autobiográfico, às vezes escrevo coisas que penso fazer sentido só para mim, mas quando mostro a um ou outro, vejo que não falo apenas de mim falo de gente comum. Procuro em mim uma forma de chegar às pessoas.

7) O q vc recomenda então, praqueles que tem interesse em fazer tiras?

Primeiro, pense que, apesar de ser um trabalho artístico, é um trabalho! É uma rotina que deverá ser seguida até mesmo nos dias em que você não estiver a fim de escrever ou desenhar. As idéias existem aos montes, estilos de personagens, também.
Existem pessoas que trabalham com assuntos. A tira tem um nome genérico, como “A Vida É Bela” e faz tiras sobre isso. É interessante porque quase todo tipo de assunto cabe nas tiras. Mas se você criar um personagem, existe aí uma restrição de assunto e comportamento. Quando escolher por um ou outro, terá que levar em consideração se conseguira escrever sobre o mesmo assunto ou personagem por muito tempo.
Milsom Henriques trabalha com a personagem Marly há mais de vinte anos no jornal A GAZETA(ES). Todos os dias sai uma tira da solteirona tentando arrumar um namorado. Ele já inventou artifícios como um papagaio, um cão, colocou personagens... e assim mantém o mesmo tema, o mesmo personagem.

8) Em poucos dias de existência dos Pássaros, eles passaram para um patamar muito maior agora que serão publicados na revista MAD. Como é receber essa notícia?

Foi gratificante, pois assim que eu escrevi as primeiras tiras dos personagens, pensei na MAD. Esperei juntar 18 tiras e mandei para o editor Raphael Fernandes. Eu já tinha escrito mais outras dez, então, me sentia confiante para mostrar o trabalho. O primeiro contato foi uma negativa, dizendo que não se interessavam por trabalhos seriados, uma tira esporádica. Mas eu já pensava em distribuição de tiras em páginas inteiras, então criei alguns assuntos que se estendem por mais de duas tiras, criando assim, uma página de quadrinhos fechada. Ofereci novamente o trabalho, desta vez com uma resposta positiva. Inclusive, precisaram da página para aquele dia mesmo, então, eu a colorizei e editei e no mesmo dia estava encaminhada para a diagramação.

9) Dá um frio na barriga por saber que agora a produção de tiras provavelmente terá q aumentar?

Bem, dá sim, mas quando eu me propus a produzir Os Passarinhos, eu esperava desenhar feito um louco, pelo menos no primeiro ano. Me sinto preparado para isso, vejo isso como um modo de vida e uma grande aposta, como todos os projetos que toco paralelamente.

10) Vc gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc?

Claro! Primeiro, obrigado a todos que acompanham meus projetos. Seja o “Pequenos Heróis”, o personagem Tristão, e meu recente romance, à venda nas livrarias HQMIX e Comix (em São Paulo), na Leonardo da Vinci (no Rio de Janeiro) e na livraria Logos (no Espírito Santo). Não deixem de conferir os meus projetos em http://euriomuito.wordpress.com e acompanhem Os Passarinhos.
Tirinhas todas as terças, quintas e sábados no blog dos Passarinhos!





É isso aí, galera!
Não deixem de acompanhar essa série de entrevistas com os grandes autores da internet.
Semana que vem tem mais! 

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