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25 de ago. de 2011

A Arte de Danilo Beyruth


O quadrinista Danilo Beyruth, autor da graphic novel “Bando de Dois”, concorre ao troféu HQ Mix em três categorias: desenhista nacional, edição nacional e roteirista. O primeiro trabalho dele, “Necronauta”, foi escolhido pelo governo para distribuição em escolas. O pessoal da Mega TV, canal do site Espaço Mix, bateu um papo com o ilustrador que conta sobre o início da carreira e suas expectativas para o prêmio. Ele também fala de outros trabalhos realizados e, ainda, autografa uma edição para a repórter Heide Guimarães.
Para assistir ao vídeo, clique aqui.

15 de fev. de 2010

Submundo Entrevista: Mike Deodato



Deodato Taumaturgo Borges Filho, ou Mike Deodato, nasceu em Campina Grande em 1963 e é um dos poucos artistas brasileiros de Histórias em Quadrinhos a ganhar projeção internacional.

Deodato se tornou quadrinista influenciado pelo seu pai, Deodato Borges, que lhe ensinou desenhar e foi quem lhe apresentou primeiramente os trabalhos dos mestres Will Eisner, Burne Hogarth e outros. Seu pai era jornalista, radialista, roteirista além de quadrinista, criador do personagem "Flama" nos idos de 1963. Surgido nas novelas de rádio, o personagem foi um dos primeiros a aparecer em revistas em quadrinhos publicadas no Nordeste brasileiro.  
"Deodato Jr." fez aos 15 anos sua primeira revista independente de HQ, com seu personagem, o Ninja, em formato de fanzine.
Nos anos 80, além de publicar regularmente charges e cartuns em jornais da Paraíba, ele publica uma revista tamanho gigante "3000 Anos Depois", uma saga de Ficção Científica!
Antes mesmo de ganhar a América do Norte, Deodato publicou trabalhos na Europa (Bélgica, França e Portugal).

Foi na década de 90 que ele começa a ganhar destaque. Através de agenciamento feito pelo estúdio Art & Comics desenha "Lost in Space" e "Beauty and the Beast" (quadrinhos baseados em séries de TV), pelo selo de quadrinhos americano Innovation Comics, "New Miracleman" pela editora Eclipse, e "Hibrides", (com arte-final de Neal Adams!), pela Editora Continuity (do próprio Neal Adams).

Tornou-se mais conhecido no mercado americano e no brasileiro, ao desenhar em 1994, a Mulher Maravilha (DC Comics). Ainda pela DC fez Batman e Flash (arte-final).


Pela Marvel Comics, Deodato ilustrou vários heróis como Os Vingadores, Thor, Hulk, Homem Aranha, X-Men, Mulher-Hulk, Elektra entre outros.


Teve uma passagem muito elogiada em Glory, de Liefeld, pela Image e pela Dark Horse fez Xena, Star Wars Tales e um encontro de com VampirellaLady Death.
Tive um bate-papo com Mike, essa semana, onde ele fala dos "primórdios" da carreira, da elogiada fase em Homem Aranha, de Dark Avengers e do seu trabalho mais recente, Secret Avengers. Vamos à entrevista!

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Submundo Mamão - Pra começar a entrevista, vamos dar um pulo no tempo. Você teve grandes influências quadrinísticas (como Eisner) e um mestre, seu pai, que estava ali sempre te ajudando a desenhar, não é?
Mike Deodato - Eu aprendi copiando de gibis e observando meu pai desenhar. Na verdade continuo aprendendo. Foi só à partir dos treze anos que meu interesse realmente aumentou.
Submundo Mamão - Como a maioria dos quadrinistas, você começou fazendo sua própria
criação em fanzines, etc. Fala um pouco dessa experiência do começo, de fazer a própria revista independente, etc. 
Mike Deodato - Fazer quadrinho independente é essencial pro desenvolvimento do artista, em minha opinião. Comigo não foi diferente. Aprendi muito tentando e errando. A opinião dos leitores foi também essencial. Sinto saudade desse tempo. 

Submundo Mamão - Você fez algumas coisas para os jornais nos anos 80 e até algo com
ficção cientifica. Você fez bastante coisa diferente no começo.
Mike Deodato - Na verdade desenhei de tudo quando publicava no Brasil. Fiz literalmente todos os gêneros, tentando sobreviver de minha arte, o que infelizmente, depois descobri que não conseguiria se continuasse tentando só no Brasil. 

Submundo Mamão - E hoje dá pra dizer, olhando para o que acontecia nessa época, que
um futuro emprego no mundo dos quadrinhos já estava se desenhando, ou você nem fazia ideia de que isso ocorreria?
Mike Deodato - Sempre soube que conseguiria, nunca tive dúvida disso! Aos treze anos decidi que seria desenhista de quadrinhos e fui atrás de meu sonho. 

Submundo Mamão - Você começou nos quadrinhos americanos através de selos pequenos,
como a Continuity de Neal Adams e depois fez um trampo na DC com a Mulher Maravilha, do qual ficou mais conhecido. Como foi essa fase? 
Trabalhar com Neal Adams e salvar uma revista do cancelamento é um bom começo, não? =)
Mike Deodato - Foi um começo bem difícil nos states também. Editoras pequenas, calotes muitos...
Quando finalmente veio a chance de apresentar amostras pra DC, coloquei tudo que tinha naqueles desenhos e o resto foi só consequência. 

Submundo Mamão - Depois da DC, você começou a desenhar pra Marvel e, ainda bem, parece que isso vai rolar por muito tempo!
Como você fez mais coisas pra uma do que pra outra, acho meio injusto te perguntar qual é a sua editora preferida (rs), então vou perguntar qual o trabalho que você mais curtiu fazer em ambas?
Mike Deodato - Na DC foi a Mulher-Maravilha e na Marvel foi o Wolverine.
.

Submundo Mamão - E quanto aos quadrinhos que você lê? Qual título você prefere?
Mike Deodato - Atualmente ando lendo Criminal, Calvin e Haroldo e Fables.

Submundo Mamão - Eu conheci seu trampo na época em que você fazia a Glory para a Image e logo após fui atrás da revista da Mulher Maravilha para conferir mais do seu trabalho. Eu curti Glory, mas meio que achei que ela era uma cópia descarada da Mulher Maravilha e hoje a gente sabe que a intenção era essa mesmo. =)
A gente sabe que você fez um puta trabalho ali, mas, só pra polemizar, um pouco será que o Liefeld pensou em você pela repercurssão que você tinha com a Mulher Maravilha?
Mike Deodato - A idéia era exatamente essa! Liefeld pode não ter outros talentos, mas é um excelente homem de negócios. 


Submundo Mamão - Você mudou seu traço, que era bem puxado ao estilo do Jim Lee nos anos 90, e vem melhorando cada vez mais e inclusive fazendo um lance muito legal, pelo menos pra muita gente que curte seus desenhos assim como eu, que é dar um rosto mais realista para os personagens dos quais você trabalha, como por exemplo, na série do Homem Aranha, que você usou referências de pessoas como o Tommy Lee Jones para o Norman Osborn e tal. Como surgiu essa ideia de fazer algo tão diferente?
Mike Deodato - Na verdade isso vem de longe... Gulacy já fazia isso nos anos setenta. Gosto de homenagear atores e artistas que aprecio.


Submundo Mamão - Mike, ainda tem algum personagem que você gostaria muito de fazer
em quadrinhos?
Mike Deodato - Príncipe Valente, Ken Parker, Tex, Conan, Tor.

 
Submundo Mamão - Como foi desenhar “Dark Avengers”?
Mike Deodato - Tem sido um prazer. Adoro Bendis e todo o time. Faria mais dezeseis números brincando.

 
Submundo Mamão - Uma última pergunta: existe algo que você possa adiantar sobre “Secret Avengers”, que faz parte da saga Heroic Age da Marvel, da qual você atualmente está trabalhando? Quais são suas expectativas para a série?
Mike Deodato - Só posso dizer que li o roteiro do número um e é o melhor roteiro que recebi nos últimos anos! Genial!


Então é isso! Estamos esperando anciosamente por isso aqui no Brasil!
Valeu, Mike!
 Mike aproveitou pra mandar uma capa exclusiva pra gente!

30 de jan. de 2010

Matéria sobre meu trabalho.

Sexta-feira (29/01/2010) saiu uma matéria sobre meu trabalho no Jornal de Valinhos, o maior em circulação aqui da minha cidade.
A matéria ficou bem legal, pois destacou bastante minhas participações na revista Subversos, mas infelizmente não saiu nada sobre minhas pretenções para 2010 que é trabalhar bastante com o personagem Val, do meu amigo Vagner Francisco. Mas beleza! Ficou muito boa.
Agradeço a repórter Ana pelo bate-papo e pela matéria!

Eu já tinha saido nesse mesmo jornal em 2008, quando tava trabalhando ainda com as tiras do Homem Grilo.

Agora, tamos aí. Novos projetos.
Ah! Saiu aí na matéria que o lançamento da Subversos #6 seria agora no sábado, pelo menos foi isso que o Alexandre, um dos editores da revista, me passou, mas me parece que não vai rolar não.
Acredito que será em Fevereiro, mas qualquer coisa eu posto o dia certo por aqui depois.


Bom, é isso!
Notem a cara de "todo pimpão" aí na foto. Foi o máximo de simpatia que consegui depois de uma noite virada de trampo e acordando cedo pra dar a entrevista! he,he,he.

21 de dez. de 2009

Especial - Como Fazer? (Tiras) #4

Depois da matéria especial de "Como Fazer Tiras", rolou algumas entrevistas especiais com os caras que entendem do traçado... Hoje, veremos a parte final da série de entrevistas com grandes tirinistas da internet e jornais.
E o último convidado é mais que especial!





Criador de várias tiras bacanudas como Salmonelas, Melão Colia e o Cachorro e de um humor negro dos mais refinados, o tirinista, ilustrador e chargista paranaense de 35 anos, Alberto Benett, é um dos grandes nomes da nova geração de desenhistas que vem mostrando fantásticas tiras e charges, tanto em jornais e revistas como também na internet.

Ele inclusive já tinha se manifestado também quanto aos programas que fazem tiras aqui.

Conversei com o cara sobre como é que se faz!



1) Você começou produzindo tiras pra internet, não? Conta como foi esse começo.
Benett - Não. Comecei produzindo tiras para jornal impresso. Dois ou três meses antes de me formar em jornalismo, fui contratado por um jornal. Pura sorte. Foi coisa de conjunção de planetas, só pode. Mas antes disso, quando tinha 20 anos, já havia descolado um trampo de chargista, mas acabei demitido por heresia.
2) Como foi a transição para as charges? Foi um pedido de trabalho pago ou você mesmo é quem decidiu se concentrar mais nisso?
Benett - Não houve transição, as duas coisas correm simultâneas. O fato é que sempre gostei de fazer charges e tiras. E acabei desenvolvendo um desenho que basicamente me limita a esses dois meios. Não consigo desenhar uma hq ou fazer caricaturas ou ilustrações elaboradas. Estou condenado a ser chargista/tirista, para ser sincero.

3) O que te inspira pra criar suas tiras, você é desses desenhistas como eu que vivem prestando atenção a tudo e todos? E o que você espera passar pras pessoas com elas?
Benett - Espero que as pessoas divirtam-se com elas e, se possível, tentem identificar ali alguma visão de mundo anti-conformista e anti-moralista. É isso o que me inspira, essas pequenas possibilidades. Agora, sobre o lance de observar as pessoas, não faço muito isso para preservar meu estômago de uma possível hérnia.


 4) O que você curte mais fazer, tiras, ilustrações ou charges?
Benett - Acho que o que mais curto, do fundo do coração, é escrever textos de humor. Meu desenho me deixa de mau humor, invariavelmente, porque nunca consigo desenhar as coisas da maneira que imagino.
5) Qual delas é mais rentável para você no fim do mês? As charges políticas? =)
Benett - Bem, na verdade não trabalho com frilas, eu tenho contrato com um jornal. Então, produzo charges e tiras e eles me pagam um salário. Agora, desconfio que esperar ganhar dinheiro no Brasil somente com tiras é algo arriscado. Isso vale para ilustradores, também. E para quem tem apenas curso de datilografia. 


6) Quem são os seus mestres? Quem são os caras que te inspiram na literatura, nas artes, enfim, na hora que você analisa todas as coisas que você vem fazendo nas tiras e charges?
Benett - Por incrível que pareça, Jack Kirby me diverte muito. Não gosto de histórias de herois, mas o desenho dele é fascinante.
Tenho lido livros de Steve Pinker e eles me inspiram muito, apesar de não ter nada a ver com o que faço. Estou escrevendo uma fotonovela, então tenho visto filmes policiais dos anos 50 pra baixo, aqueles com o James Cagney e tal, e isso tem sido fantástico.
Essas coisas me empolgam de verdade. Chester Himes me dá uma vontade imensa de morar no Bronx, assim como ouvir The Meters durante o dia todo enche minha alma de vitalidade.

E a vantagem dos dias de hoje é que tudo o que existe de produção cultural está a um clique. Quando eu era adolescente e babava para ver filmes do Lon Chaney Jr., era quase impossível descolar essas coisas. Ouvir um vinil do Lonnie Smith então, jamais. Eram coisas que cresciam com a nossa imaginação e, quando tínhamos acesso a isso, era fantástico, uma pequena glória saboreada lentamente. 
Lembro que aos 16, 17 anos queria muito ver os primeiros filmes dos Irmãos Marx, mas eles não saíam em vídeo e, quando saíam, as locadoras da minha cidade não compravam. Você tinha que descolar com algum especialista que fazia uma cópia em VHS para você pelos olhos da cara. Quando alguém me diz "aqueles é que eram os bons tempos", tenho vontade de socar o nariz.
 
 7) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza ou esboça direto no papel antes da finalização? 
Benett - Não tenho uma maneira sistemática para fazer isso. Muitas vezes penso nas tiras durante minhas intermináveis horas de insônia e desenho tudo no dia seguinte. Outras vezes simplesmente sento com o papel em branco na minha frente e tento espremer uma ideia em 5 ou 10 minutos. Em outros tempos eu anotava tudo em folhas e jogava num canto, aí ia lá e escolhia as melhores e desenhava. E hoje tenho certeza que comecei a desenhar quadrinhos porque queria fazer as piadas que via no cinema, e a única maneira era através das tiras. Claro, havia toda a influência de Schulz e Johnny Hart, Angeli e Adão...mas a ideia mesmo eram as tiras que eu lia do Woody Allen, feitas pelo Stuart Hample.

Mas hoje anda difícil eu fazer tiras novas e ispiradas, por uma questão de falta de tempo, mesmo. Talvez falta de interesse, realmente. Acho que estou perdendo um pouco o tesão por isso.

8) Você acha que a internet tem sido um bom canal pra quem tá começando? Você já publicava tiras antes da internet, mas foi através dela que você ficou mais conhecido não?
Benett - Não sei se fiquei conhecido, para ser sincero. Bem, a internet é o caminho para quem está começåndo só que, por outro lado, é um tanto arriscado expor seu trabalho se ele ainda não está legal, sabe? Há uma certa impaciência para se publicar e isso pode ser letal para o cara, que fica esperando elogios e convites de emprego e a coisa não rola e ele acaba se frustrando. Ou pode acontecer de ele nunca ser uma novidade, nunca ser uma surpresa, por estar aí desde sempre. O ideal é aguardar um tempo até ter um trabalho legal e depois jogar na rede. O fato é que, de uma maneira ou de outra, o sujeito vai ter que ralar muito. 

 9) Você está a mais de 10 anos no ramo de desenhos, né? Você consegue analisar esse tempo em que você está batalhando, você consegue definir em que ponto daquilo que você projetou pra sua carreira você está vivendo?
Benett - Estou há exatamente 10 anos e posso dizer que tenho sorte de ainda estar nessa. Sempre sobrevivi com a força das ideias, porque se dependesse do desenho, acho que hoje estaria vendendo escovas de porta em porta.
Acho que fui muito mais longe do que havia projetado, sinceramente. Pra você ver como não projetei nada muito ambicioso. Quando comecei isso aos 12 anos, eu queria mesmo era sair da minha cidade, do meu bairro, da minha casa, do meu quarto, da minha cama e, se possível, de minha própria carcaça.

10) Me parece que hoje um caminho pra se ter visibilidade de seu trabalho é produzindo tiras. Já vi vários artistas que acabam indo pra esse lado, com a intenção de ter esse reconhecimento pra depois tentar executar seus outros trabalhos. E por outro lado, tem aqueles que só interessam por produzir tiras.
O mercado hoje em dia pede muito mais daqueles que querem trampar com isso, certo? É bom que o cara saiba no mínimo o que tá rolando no planeta (no caso das charges) ou pelo menos que faça boas ilustrações, não é? 
Benett - O nível está muito alto hoje em dia, em qualquer dessas áreas. Portanto, quanto mais informação e, principalmente, formação você tiver, melhor. Conhecimento nunca é demais, você pode desprezá-los depois, mas é importante ter técnica e conteúdo. Vai te dar mais possibilidades para o dia em que você enjoar desse negócio de cartum. Ah e, se possível, tenha alguma herança em vista.
11) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras então?
Benett - Seja autêntico e não espere muito dos jornais. Não glamourize a profissão. Você vai ter de lidar com editores que vão censurar suas charges, vão querer alterar o texto de seu trabalho, vai aguentar muita encheção de saco até ter a autonomia de um Angeli ou Ziraldo. Vejam, Carl Barks, no alto de seus 55 anos, tinha que alterar histórias porque os editoras não gostavam do que liam, acredita nisso?

12) Você já viu esses programas que ajudam quem não sabe desenhar a fazer tiras, né? O que você acha disso? 
Benett - Dá certo por alguns minutos, mas se tornam rapidamente quadrinhos enfadonhos. Não surpreende. É como Cyanide & Hapiness. Houve tanta proliferação do mesmo desenho, que cansou.
A mediocridade sempre vai acabar predominando, ela deixou o que era uma ideia divertida, para virar algo que é um auto-plágio. Tornou-se previsível. E tornar-se previsível é o primeiro sintoma da decadência.
13) E quanto aos salões de humor, concursos, etc. Você acha que vale a pena tentar algo por esse caminho?
Vale, mas vencer um salão de humor não vai mudar muito sua vida. Agora, tem o lance da grana que é essencial.
14) Você gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc.?
Ahn...cuidado com sua postura na prancheta, ou você irá ficar parecendo com o quasímodo quando estiver mais velho.



Bom, é isso aí, galera!
Obrigado a todos os artistas que participaram e obrigado a você por ter dispensado um tempinho pra ler essas matérias. Dá um trabalho mais ou menos pra fazer! Mas no final vale a pena!
Ano que vem tem mais especiais por aqui!


Para saber mais de Benett, acesse:

Para ver as outras entrevistas:



10 de dez. de 2009

Especial - Como Fazer? (Tiras) #3

Depois da entrevista com o Cadu, que você viu aqui, agora é a vez dele... o cara que fez todo fã do Homem-Aranha relembrar a boa fase do personagem através de tirinhas inteligentes, bem feitas e sensíveis.


Vitor Cafaggi, o criador de Puny Parker (ou o Pequeno Parker) o personagem que é uma homenagem ao herói da Marvel, mostra em seu trabalho um aspecto bem diferenciado no que se refere à tiras.
Ele também é o responsável por uma das grandes histórias que compõe o álbum que homenageia Mauricio de Sousa.


Conversei com o Vitor sobre seu trabalho e você confere agora o bate-papo que tive com esse grande artista!


1) Além de homenagear o Homem-Aranha, Puny tem um traço bem característico, lembrando muito as tiras dos Peanuts, feitas por Schultz e com um pouco da “alma” de Calvin de Bill Watterson, não é mesmo? Você se baseou nesses grandes mestres pra produzir as tiras? Como foi que o Pequeno Parker “nasceu” na sua cabeça?
Não sei exatamente de onde surgiu a ideia. Não houve um momento específico que eu me lembre como sendo o da criação dele.
Acho que o Puny é uma mistura de tudo o que eu gostava na minha infância nos anos 80. Eu lia as revistas do Homem-Aranha, as tirinhas do Calvin, assistia o desenho do Charlie Brown na TV, ia ao cinema para ver De volta para o Futuro, Os Goonies e os filmes do Stallone.. acho que a ideia não surgiu.. ela sempre esteve aqui comigo!



No final, acho que ficou bem forte essa influência do Schultz e do Bill Watterson nas tirinhas. Hoje, para mim, nosso jovem Peter Parker é um menino muito parecido com o Charlie Brown (tímido, azarado, apaixonado..) que vive uma vida parecida com a do Calvin (tem problemas com valentões na escola, tem uma imaginação muito fértil e figuras paternas bem marcantes).

2) Qual era a intenção no começo e o que você sente que mudou depois de mais de um ano de produção? 

Quando eu comecei a fazer as tiras semanais meu objetivo principal era me condicionar a desenhar sempre. Muitas vezes a gente tem ideias que não coloca no papel, ou ideias que começamos e nunca terminamos por falta de tempo ou mesmo por preguiça. Quando fiz a segunda tirinha do Puny decidi que faria isto semanalmente. Comecei colocando as tirinhas no Orkut e avisei aos amigos que ia fazer isso toda semana. Dessa forma eu meio que me obriguei a manter essa produção semanal de tirinhas.


Depois disso, outras pessoas conheceram a tirinha, eu fiz o blog e hoje, pouco mais de um ano depois, eu cumpri esse objetivo: desenho melhor do que desenhava há um ano, o Puny me trouxe outros projetos e a receptividade à tirinha foi ótima!




3) Você pensou num público-alvo para essas tiras? 
Quando eu comecei a fazer essas tirinhas, minha idéia era ‘tirinhas feitas por um fã do Aranha para os fãs do Aranha’. Esse sempre foi meu público-alvo, os antigos leitores do personagem.


4) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza antes de desenhar? 
Uma vez que eu já estou com a idéia da tira pronta na minha cabeça, eu faço apenas um rascunho antes de desenhar cada tira. Esse rascunho me ajuda a visualizar a tira antes de desenhar, eu vejo de quantos quadrinhos eu vou precisar e o que acontece em cada um deles. 




5) Você adiciona algumas “curiosidades” depois das tiras. Achei um recurso fantástico e bem diferente. Necessariamente, para o leitor, não é preciso recorrer a esse recurso para entender a piada, mas você acha que se a tira fosse publicada em jornal ou revista, o fato de não existir esse recurso, prejudicaria seu trabalho final?
Nunca pensei nisso.. na verdade, eu nunca pensei em publicar Puny Parker em jornais ou revistas. Como eu disse, o público-alvo são os fãs do Aranha, mas muita gente que conhece o personagem apenas pelos filmes tem lido as tirinhas (o que é bem legal). Eu escrevo as curiosidades principalmente pra essas pessoas e às vezes escrevo também sobre algum detalhe escondido que possa passar desapercebido ou mesmo sobre o processo de criação daquela tira.


6) Além de se utilizar da cultura pop e de ser um profundo conhecedor do herói da Marvel, vc se espelha em algum fato da sua vida pra criar situações na vida do seu personagem? Qual é a mensagem que vc espera passar nas tiras?

Sim, várias situações vividas pelo Puny são inspiradas em minha infância. O fato é que eu leio os quadrinhos do Aranha desde que tinha sete anos. Isso me acompanhou pela minha vida inteira. Posso dizer, sem exagero, que muito de quem eu sou, minha personalidade e dos meus valores eu aprendi nas histórias desse personagem. Tendo essa identificação, sinto que nas tirinhas do Puny Parker posso colocar experiências pessoais porque sei que vão se encaixar com o que o personagem representa.

Pra mim, os temas principais em Puny Parker são a história de amor (platônico) entre ele e a MJ e a vida dele em família. Muitas vezes eu até deixo a piada de lado em uma tira ou outra pra poder trabalhar melhor esses dois temas.





7) Qual é a dica para o leitor que tem interesse em fazer tiras? 
Desenhe sempre, todos os dias. Pense sobre qual seria o tema das suas tiras, quem são os personagens que aparecem nela.. o que esses personagens querem, quais são suas características mais marcantes.. Uma vez que você criou a tira tenha sempre ela em mente.. desse jeito, a todo momento você vai ter idéias para novos episódios.


8) Conta como foi que você teve a idéia de fazer “produtos” como o cd com a “trilha sonora” das tiras e Cubeegrafts dos personagens.
Eu não queria deixar o blog parado durante as férias do Puny. E, como eu sempre gostei de pensar nas tiras como um seriado com temporadas definidas, pensei que seria legal termos alguns extras, como se fosse um DVD. Pensando nesse lado seriado do Puny, a trilha sonora era um extra indispensável. Os cubeecrats são pra aqueles que adoram colecionar bonecos (como eu) e os outros extras serviram mais como curiosidade mesmo.
Fiquei sabendo que o Wallpaper fez bastante sucesso e hoje, sempre que vão falar sobre o Puny em outros blogs eles usam essa imagem pra ilustrar o texto.


9) Em pouco tempo, seu personagem se tornou hit na internet, te premiando, na minha opinião, com um dos melhores presentes que é participar de uma comemoração como a de 50 anos do Mauricio de Sousa. Como você está se sentindo agora com tudo isso acontecendo? 
Como eu disse, a receptividade com as tirinhas tem sido ótima, muito além do esperado e eu fui convidado pra participar de outros projetos como o Pequenos Heróis e o MSP 50 graças ao Puny. Devo muito a ele. Esse convite para participar do MSP 50 foi o máximo!
A chance de criar, escrever e desenhar no meu estilo uma história do Chico Bento foi uma surpresa gigante. Digo sem exagero que foi o primeiro grande sonho da minha vida realizado.


10) Você gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc? 
Claro! Jabá time!
O MSP 50, o livro em comemoração aos 50 anos de carreira do Maurício de Sousa, sai agora em setembro (essa entrevista foi realizada em Agosto), em breve nas bancas teremos Pequenos Heróis e continuem acompanhando as aventuras semanais do Puny! Valeu, gente!





Não perca por nada desse mundo a hilária entrevista que fiz com o autor Benett, no dia 21 desse mês!
Será a última entrevista do ano! Então, esteja aqui!


Para saber mais acesse: 
http://punyparker.blogspot.com/ 

26 de nov. de 2009

Especial - Como Fazer? #1


Pergunte à: Estevão Ribeiro


Criador do personagem Tristão e autor do álbum "Pequenos Heróis", que é uma homenagem aos super-heróis da DC Comics, o escritor capixaba agora “ataca” de cartunista em seu mais recente sucesso, Os Passarinhos, e produz tiras bem legais que contam o cotidiano de dois pássaros alaprados!

Conversamos com ele pra saber como é seu processo para fazer as tiras e outras cositas más! Se você achou que a entrevista foi legal, não deixe de comentar ou passar para seus amigos pelo Twitter.


1) De onde veio a idéia de fazer os Pássaros? Foi por acaso baseado no Twitter?

Estevão: Os Passarinhos foram criados enquanto eu esperava para uma reunião de roteiro num estúdio de animação. Enquanto eu esperava os produtores, rabisquei num papel o Hector, o personagem menor, tentando fazer um passarinho mais simples possível. Depois, vi se conseguiria fazer outro personagem para acompanhá-lo numa piada, só consegui pensar numa arara, num formato “reconhecível” para as pessoas. O design do Twitter influenciou pela sua simplicidade, pois anteriormente eu tinha produzido um espaço no Twitpic um passarinho do Twitter desenhando, então sim, os passarinhos tem como exemplo a simplicidade do design do Twitter.

2) Vc é muito conhecido como roteirista. Como é que foi assumir o controle da caneta nas tiras?

Estevão: Eu não diria “muito” conhecido, mas eu prefiro trabalhar com textos. Esse trabalho é praticamente um exercício iniciado em “Enquanto Ele Estava Morto...”, o meu primeiro romance, primeiro trabalho autoral que eu ilustro. Geralmente eu trabalho em parceria, mas o livro, por falar de mim e da minha família, achei que as ilustrações deviam ser de minha autoria. Com Os Passarinhos também penso assim. Só pra registrar: trabalhei na Editoria de Arte do jornal A Tribuna (ES) por quase cinco anos, então... mas não gosto do meu traço. Com Hector e Afonso acho que casou certo.

3) Como é a produção dessas tiras. Você as roteiriza antes de desenhar?

Estevão: Sim, geralmente roteirizo as tiras. Atualmente estou com uma frente de dez tiras roteirizadas em relação ao desenho. Quando tenho uma idéia eu a coloco na “fila de espera” e vou ilustrando de acordo com a disponibilidade de tempo. Geralmente ilustro duas por dia, além de fazer vez ou outra uma ilustração avulsa, para acostumar com o traço do personagem. O roteiro é simples, como o cenário quase não muda, eu descrevo quem estará no primeiro quadro, o tipo de enquadramento e a fala. Faço isso nos outros quadros, que geralmente variam entre um a cinco, sendo mais comum tiras de quatro quadros.

Exemplo: Tira 013
 
Hector apresenta a mala para Afonso.
Hector: Finalmente achei a mala de detetive do meu pai!
Afonso: Ah, O “mestre dos difarces”?
Hector metendo a cara na mala. Afonso observa.
Hector: Você vai tirar essa ponta de sorriso do rosto quando me vir em ação!
Hector de óculos, nariz, bigode e chapéu. Afonso observa.
Hector: Então, o que me diz?
Afonso com sorriso sacana para Hector.
Afonso: Sei lá, me deu vontade de comer batatas...


Cada ação (ou descrição) é um quadro, para evitar uma formalização excessiva. Como as descrições são simples, é perda de tempo escrever Quadro 1, Quadro 2, 3... talvez apenas um número na frente seja o bastante, mas eu me entendo bem assim.

4) Vc pensou num público-alvo para essas tiras?

Pensei em escrever algo “acessível” para a maioria das pessoas que gostam das tiras do Garfield, Snoopy, Dilbert, Mafalda... É o que chamamos de “tira universal”. Tentar fazer uma tira que não seja datada, porque se você a coloca fora do contexto, fora da época em que foi concebida, o sentido pode se perder.
Acredito que a Mafalda seja uma das exceções. Quino conseguiu fazer tiras explicando a situação do mundo e da Argentina de uma forma que, ainda hoje, você consegue ler e achar graça, mesmo se você não entender o contexto. Às vezes perde-se a crítica, mas conserva-se o humor.

5) Qual é a mensagem que vc espera passar nas tiras?

A tira é um convite à reflexão da amizade e do comportamento. Tento fazer com que pássaros vivam situações humanas e, dependendo da situação, os faço responder como simples pássaros e às vezes os faço responder como complexos seres humanos. Mesmo assim, é um convite bem-humorado aos dissabores da vida.

6) Por acaso existe a possibilidade dos pássaros serem auto-biograficos? Vc se inspira no seu cotidiano para criar algumas situações?

Sim, muito até. Tento não ser tão autobiográfico, às vezes escrevo coisas que penso fazer sentido só para mim, mas quando mostro a um ou outro, vejo que não falo apenas de mim falo de gente comum. Procuro em mim uma forma de chegar às pessoas.

7) O q vc recomenda então, praqueles que tem interesse em fazer tiras?

Primeiro, pense que, apesar de ser um trabalho artístico, é um trabalho! É uma rotina que deverá ser seguida até mesmo nos dias em que você não estiver a fim de escrever ou desenhar. As idéias existem aos montes, estilos de personagens, também.
Existem pessoas que trabalham com assuntos. A tira tem um nome genérico, como “A Vida É Bela” e faz tiras sobre isso. É interessante porque quase todo tipo de assunto cabe nas tiras. Mas se você criar um personagem, existe aí uma restrição de assunto e comportamento. Quando escolher por um ou outro, terá que levar em consideração se conseguira escrever sobre o mesmo assunto ou personagem por muito tempo.
Milsom Henriques trabalha com a personagem Marly há mais de vinte anos no jornal A GAZETA(ES). Todos os dias sai uma tira da solteirona tentando arrumar um namorado. Ele já inventou artifícios como um papagaio, um cão, colocou personagens... e assim mantém o mesmo tema, o mesmo personagem.

8) Em poucos dias de existência dos Pássaros, eles passaram para um patamar muito maior agora que serão publicados na revista MAD. Como é receber essa notícia?

Foi gratificante, pois assim que eu escrevi as primeiras tiras dos personagens, pensei na MAD. Esperei juntar 18 tiras e mandei para o editor Raphael Fernandes. Eu já tinha escrito mais outras dez, então, me sentia confiante para mostrar o trabalho. O primeiro contato foi uma negativa, dizendo que não se interessavam por trabalhos seriados, uma tira esporádica. Mas eu já pensava em distribuição de tiras em páginas inteiras, então criei alguns assuntos que se estendem por mais de duas tiras, criando assim, uma página de quadrinhos fechada. Ofereci novamente o trabalho, desta vez com uma resposta positiva. Inclusive, precisaram da página para aquele dia mesmo, então, eu a colorizei e editei e no mesmo dia estava encaminhada para a diagramação.

9) Dá um frio na barriga por saber que agora a produção de tiras provavelmente terá q aumentar?

Bem, dá sim, mas quando eu me propus a produzir Os Passarinhos, eu esperava desenhar feito um louco, pelo menos no primeiro ano. Me sinto preparado para isso, vejo isso como um modo de vida e uma grande aposta, como todos os projetos que toco paralelamente.

10) Vc gostaria de deixar alguma mensagem, recado, jabá, etc?

Claro! Primeiro, obrigado a todos que acompanham meus projetos. Seja o “Pequenos Heróis”, o personagem Tristão, e meu recente romance, à venda nas livrarias HQMIX e Comix (em São Paulo), na Leonardo da Vinci (no Rio de Janeiro) e na livraria Logos (no Espírito Santo). Não deixem de conferir os meus projetos em http://euriomuito.wordpress.com e acompanhem Os Passarinhos.
Tirinhas todas as terças, quintas e sábados no blog dos Passarinhos!





É isso aí, galera!
Não deixem de acompanhar essa série de entrevistas com os grandes autores da internet.
Semana que vem tem mais! 

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