Muito antes do Serra proibir de se fumar em tudo que é lugar, muitas empresas adotaram o levante da bandeira do anti-tabagismo, inclusive nas editoras de quadrinhos! Mas você concorda que tal ideia interfira tanto na vida das pessoas aqui de fora quanto numa simples história em quadrinhos?
Que a fumaça pode incomodar as pessoas que não fumam eu até entendo, mas qual mal ela faria representada num pedaço de papel?
Esse é um debate longo, com seus prós e os contras, opiniões diversas, mas eu te pergunto: isso não seria te tirar a liberdade de expressão e de livre escolha do que ler e/ou fazer?
Tem gente que acha que isso seria um mal exemplo para as crianças que leem quadrinhos, mas também não seria um exemplo de o que não fazer? Dependendo da maneira como você coloca isso na história pode ser até orientador. Eu sempre faço questão de fazer o Val um fumante inveterado, acendendo um cigarro no outro, justamente para mostrar esse lado "junkie" do personagem.
Imagina se essa proibição caísse sobre ele? Todo seu estilo fodão iria água abaixo!
E aí vou substituir pelo quê? Um pirulito? Um palito de dente? Uma batata frita?
Fiquei surpreso quando comecei a perceber que o Wolverine, o Coisa ou até o Nick Fury não eram mais retratados com seus famigerados charutos no canto da boca. Todo o estilão bad-ass desses personagens caiu por terra!
Eu sei que a indústria de cigarros fez questão de fazer um marketing ferrado na década de 40, 50 e 60 de que fumar era muito cool e muita gente cai nessa até hoje (eu me incluo nisso), mas não acredito que nos quadrinhos isso pode ser considerado uma propaganda. E eu vou explicar porquê. Falar que a criança vai ver seu personagem preferido fumando e vai virar um fumante e a mesma coisa que dizer que ela vai sair extirpando um monte de gente na rua usando seis facas de bolo Pullmann como garras. É ridículo!
Quais HQs esse moleque deve ter lido?
O fato é que o gordão Joe "Queixada", quando assumiu seu cargo de editor chefe na Marvel, proibiu a retratação de personagens fumando, porque ele é contra o cigarro. Ele disse, certa vez em entrevista, que perdeu muita gente de sua família, inclusive o pai, para o câncer provocado pelo tabagismo e enquanto ele fosse o dono do pedaço lá, teriam que seguir as suas regras.
Ele acredita inclusive que, sim, os quadrinhos influenciam nessa escolha dos jovens a experimentar o cigarro, porque as HQs fazem parte da cultura norte-americana. Eu não sei se essa política anti-fumo da Marvel ajudou ou não em alguma coisa nesses anos em que ela está vigorando, mas se ela está realmente ajudando, que continue assim. Mas que perde um pouco do vínculo com a realidade, isso perde.
De um lado temos personagens como Tony Stark (o Homem de Ferro) e Carol Danvers (Miss Marvel) com problemas relativos ao consumo de álcool, o que no caso do Ferroso, gerou uma baita HQ legal falando da dependência de bebidas álcoolicas. Eu acho que é pra isso que serve certos desvios de conduta ou vícios em personagens, abrir os olhos das pessoas para problemas que realmente acontecem e que podem ser solucionados se a pessoa procurar ajuda.
Outro exemplo de censura imposta pela editora que vi pesquisando em fóruns, foi a de uma HQ do Capitão América feita por Mark Millar, justamente na linha Ultimate, onde, tecnicamente, são permitidas algumas ações mais contundentes, pois não são indicadas para o público infantil, onde é apagada a imagem de um cigarro que estava entre os dedos do Caveira Vermelha.
Mas reparem que a Vodca tá lá. Beber pode, fumar não.
E se a molecada começar a beber, invariavelmente vai acabar fumando também.
Já em outra página, mostra o Caveira brincando de Michael Jackson atrapalhado, arremesando um bebê pela janela do prédio!
Cara, que hipocrisia é essa?
Que retardado vai fazer a conexão que fumar e beber é legal porque induz a fazer merda? Isso funciona exatamente ao contrário nesse caso! Mostra que o cara é um desiquilibrado, cheio de vícios e que é um cara do mal!
Tirando o cigarro da cena, a Marvel nos prova o quê? Que fumantes não atiram bebês pela janela!
A mesma coisa aconteceu com os quadrinhos infantis da Turma da Mônica. Maurício de Sousa, que também perdeu seu pai por causa dos malefícios do cigarro, cortou todas as imagens relativas ao tubinho cancerígeno de suas histórias. Ele até explicou a atitude no site oficial da Turma.
Nesse caso, eu acho até válido, porque se trata de crianças em formação de opinião, mas não sei se também não daria pra usar roteiros inteligentes que façam essas crianças entenderem que fumar é prejudicial. A clássica imagem do ricaço acendendo seu charuto com uma nota de dinheiro foi banida das histórias infantis pra sempre.
Mais um exemplo de trauma pessoal servindo como estopim da decisão para limar o cigarro das páginas das revistas.
A Disney foi o primeiro grande estúdio de Hollywood a proibir representações de fumo em seus filmes, ou seja, o uso do tabaco não aparecerá mais em filmes com a marca Disney e que ainda iria desencorajar o mesmo em filmes distribuídos pela Miramax e a Touchstone. Se isso fosse a 16 anos atrás, por exemplo, veríamos Pulp Fiction sem a presença de um só cigarro na película. Mas a cocaína ainda estaria lá. Legal né?
Será que a Disney também vai cortar os cigarros da Cruela DeVil?
Não sou a favor do cigarro, mas sim da livre expressão, tanto nas HQs quanto nos filmes, porque certas coisas fazem parte das características de um personagem.
Quem decide o que vai fazer ou não somos nós e se existe pessoas influenciáveis nesse mundo, elas vão ser influenciáveis sobre qualquer coisa!
Eu, por exemplo, comecei a fumar porque meus pais e avós sempre fumaram e não por causa de uma revista em quadrinhos. Parei por opção durante 3 anos e voltei a pouco tempo por pura falta de vergonha na cara! =)
Se você é contra ou a favor não deixe de comentar sobre isso, aí nos comentários.
E se você quer erradicar de uma vez por todas o tabaco da face da Terra, mas na vida real, não deixe de se juntar a Aliança Por um Mundo sem Tabaco promovido pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) lá na página do Ministério da Saúde.







